Internacional

Os principais pontos do discurso de Bolsonaro na Cúpula das Américas

Presidente disse que o Brasil não precisa da região amazônica para expandir o agronegócio e acenou a apoiadores domésticos

Presidente da República Jair Bolsonaro, discursa durante a Segunda Sessão Plenária da IX Cúpula das Américas
10 de Junho, 2022 | 07:21 pm
Tempo de leitura: 2 minutos

Bloomberg Línea — Em seu discurso na abertura da Cúpula das Américas, que acontece em Los Angeles, nos Estados Unidos, o presidente Jair Bolsonaro defendeu a gestão da política ambiental do governo – sobretudo, na Amazônia, foco de críticas da comunidade internacional – e realizou acenos à sua base doméstica, a menos de quatro meses da eleição.

Amazônia e Agronegócio

“Não precisamos da região amazônica para expandir nosso agronegócio, somente no bioma amazônico 84% da floresta está intacto, abrigando a maior biodiversidade do planeta”, afirmou.

Segundo dados do Instituto de Pesquisas Espaciais (INPE), a Amazônia Legal registrou no primeiro trimestre de 2022 o maior número acumulado de alertas de desmatamento na história do monitoramento feito pela entidade: o total chega a 941,34 km², maior índice desde 2016. Em 2021 foram registrados 573,29 km².

O presidente defendeu o agronegócio brasileiro: “O Brasil alimenta um bilhão de pessoas, garantimos a segurança alimentar de um sexto da população mundial. Uma realidade: sem o nosso agronegócio, parte do mundo passaria fome”, declarou.

PUBLICIDADE

“Somos um dos países que mais preserva suas florestas, temos a matriz energética mais limpa e mais diversificada do mundo, mesmo preservando 66% da vegetação nativa e usando apenas 27% para pecuária e agricultura, somos uma potência agrícola”, discursou o presidente.

Desaparecidos

Bolsonaro também mencionou o desaparecimento do jornalista Dom Phillips e do indigenista brasileiro Bruno Araújo na região do Vale do Javari (AM) e disse à plateia de chefes de Estado e diplomatas internacionais que a Polícia Federal e o Exército realizam buscas “incansáveis” desde o domingo, quando houve a informação sobre o desaparecimento.

“Desde o primeiro momento, naquele mesmo domingo, nossas Forças Armadas e PF têm se destacado na busca incansável da localização dessas pessoas. Pedimos a Deus que sejam encontrados com vida”, afirmou.

Pauta de costumes

Parte do discurso foi voltado a seus apoiadores domésticos. O presidente se queixou do “ataque claro às liberdades individuais por opinar diferente”, sem explicitar por parte de quem estariam partindo esses ataques, e repetiu alguns de seus motes de campanha.

PUBLICIDADE

“Neste ano em que o Brasil comemora duzentos anos de Independência, afirmamos que temos um governo que acredita em Deus, respeita os seus militares, é favorável à vida desde a sua concepção, defende a família e deve lealdade ao seu povo”, disse.

Encontro com Joe Biden

Presidente da República Jair Bolsonaro, durante encontro com o Presidente dos Estados Unidos, Joe Bidendfd

Mais cedo, Bolsonaro esteve numa reunião com Joe Biden – foi a primeira vez que os dois chefes de Estado das duas maiores economias das Américas estiveram juntos. O encontro reservado entre os dois durou 35 minutos e Bolsonaro disse, a jornalistas, que não revelaria o teor da conversa por se tratar de “segredo de Estado”.

Na primeira parte do encontro, cerca de seis minutos e meio acompanhado pelos jornalistas, Bolsonaro voltou a defender eleições “auditáveis”, referindo-se às recorrentes críticas que faz ao sistema eleitoral brasileiro, tratou a questão ambiental e mencionou a relação de 200 anos entre os dois países.

Biden, por sua vez, elogiou o Brasil como um lugar “maravilhoso”, com “democracia vibrante e inclusiva e instituições eleitorais fortes”, deixando implícita a confiança de Washington no processo eleitoral brasileiro.

Leia também

Brasília em Off: Equipe de Guedes cede à pressão quanto aos combustíveis

Graciliano Rocha

Graciliano Rocha

Editor da Bloomberg Línea no Brasil. Jornalista formado pela UFMS. Foi correspondente internacional (2012-2015), cobriu Operação Lava Jato e foi um dos vencedores do Prêmio Petrobras de Jornalismo em 2018. É autor do livro "Irmã Dulce, a Santa dos Pobres" (Planeta), que figurou nas principais listas de best-sellers em 2019.

PUBLICIDADE