Internacional

Férias na Europa? Greves e crise de mão-de-obra causam caos em aeroportos

Número insuficiente de funcionários causa cancelamento de centenas de voos antes do verão na região, em novo golpe para um dos setores mais afetados pela pandemia

Trabalhadores em greve no aeroporto Charles de Gaulle, perto de Paris, na última quinta-feira (9)
Por Tara Patel e William Wilkes
10 de Junho, 2022 | 10:58 am
Tempo de leitura: 2 minutos

Bloomberg — O tão esperado boom de viagens pós-lockdowns na Europa, às vésperas da temporada de férias, rapidamente se transformou em um desastre, com a escassez de mão-de-obra no setor aéreo, conflitos trabalhistas e o cancelamento de centenas de voos antes do pico do verão.

Nesta semana, a alemã Lufthansa se juntou a outras companhias aéreas que reduziram voos porque não têm funcionários para atender à demanda. A Lufthansa vai cancelar cerca de 900 voos em julho, ou 5% de sua capacidade normal de fim de semana. A medida segue problemas na Air France-KLM, na Ryanair, na British Airways e em outras companhias que lutam para manter suas operações.

As cenas caóticas que se desenrolam nos aeroportos de vários países do continente, da Irlanda à Alemanha e a Turquia, representam um grande revés para um setor particularmente atingido nos últimos dois anos da pandemia. As companhias aéreas perderam bilhões de euros em receitas e fizeram cortes drásticos de empregos. E algumas precisaram de resgates orquestrados pelos governos de seu países.

Agora, greves se alastram pelo setor, com líderes corporativos cautelosos em ceder às demandas salariais mais altas, apesar do aumento da inflação.

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“Temos que olhar com muita seriedade para o que o verão nos reserva e como vamos lidar com isso”, disse Johan Lundgren, CEO da EasyJet, em uma conferência de aviação em Paris nesta semana. “Precisamos nos unir e fazer o melhor que pudermos.”

Os contratempos foram particularmente ruins no Reino Unido, embora grandes centros europeus como Amsterdã, Frankfurt e Paris também tenham sido afetados por atrasos e pelas consequências de greves. Fora da Europa, o aeroporto de Toronto, o mais movimentado do Canadá, tem sofrido tempos de espera crescentes e cancelamentos de voos devido à escassez de mão-de-obra.

A Air France-KLM foi forçada a cancelar 85 voos em um dia devido a uma greve no aeroporto Charles de Gaulle, nos arredores de Paris, além de cerca de três vezes esse número de voos devido a problemas em Schiphol, em Amsterdã. Turistas irritados presos em longas filas de aeroportos ou incapazes de voltar para casa porque seus voos foram cancelados contrastam com expectativas de que as férias de verão no Hemisfério Norte seriam uma chance de colher os benefícios da demanda crescente por viagens.

Brasileiros em viagem pelo continente relatam dificuldades em aeroportos como o Charles de Gaulle.

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Alguns dos piores gargalos ocorreram durante as comemorações do jubileu de platina da Rainha Elizabeth II na semana passada. A Ryanair pediu ajuda a militares britânicos para lidar com o tumulto. O aeroporto de Gatwick nos arredores de Londres e o de Manchester foram os mais atingidos pelos cancelamentos.

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