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Opinião

É possível o país mais rico do mundo não saber o que é ‘riqueza’?

Muitos americanos estão acordando para o fato de que é realmente caro estar “confortável” nos Estados Unidos em 2022

Rockefeller Center
Por Mark Gongloff
26 de Maio, 2022 | 08:25 am
Tempo de leitura: 3 minutos

Bloomberg Opinion — Quanto dinheiro seria necessário para fazer você se sentir rico? O que é riqueza? O que é dinheiro? Estas são apenas algumas das perguntas intrigantes levantadas pelos resultados de uma nova pesquisa da Charles Schwab realizada em fevereiro.

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De maneira um pouco confusa, a pesquisa constatou que as pessoas acreditam que são necessários US$ 2,2 milhões em patrimônio líquido para ser “rico”, abaixo dos US$ 2,6 milhões em 2020, pouco antes do início da pandemia de covid-19. Os entrevistados acham que são necessários US$ 774 mil para ficar “confortável”, o que representa uma queda em relação aos US$ 934 mil de 2020.

Considerando que a inflação dos preços ao consumidor subiu de cerca de 2% ano a ano antes da pandemia para cerca de 8% agora, você pode pensar que as pessoas precisariam de mais dinheiro para se sentirem “ricas”, “confortáveis” ou “capazes de comprar leite”. Bem, talvez a pandemia tenha feito com que baixássemos um pouco nossos padrões. Talvez tudo o que é preciso para se sentir rico agora seja um trailer, um fundo agradável para o Zoom, talvez um escritório na Riviera Francesa.

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Na verdade, a pesquisa da Schwab também descobriu que muitos entrevistados valorizam muito os... valores ao considerar um emprego. Mais da metade disse que aceitaria um emprego com remuneração mais baixa em uma empresa que “representa melhor valores ou interesses pessoais”. Claro, meus valores e interesses pessoais incluem um escritório na Riviera Francesa, então o parâmetro pode variar.

Ainda assim, 89% dos entrevistados disseram que queriam um trabalho gratificante, 85% disseram que queriam o respeito de seus colegas e 84% disseram que os valores orientavam sua carreira. Para que você não pense que esses números refletem apenas as atitudes de tantos millennials militantes, considere que a Geração X e os Baby Boomers juntos representaram 56% dos entrevistados da pesquisa.

Então talvez o dinheiro não seja tão importante ultimamente. E de uma perspectiva global, você poderia dizer que US$ 2,2 milhões ainda são exorbitantes, considerando que a renda média global é de aproximadamente US$ 12 mil. Balconistas de supermercado – pelo menos aqueles que ainda não foram substituídos por máquinas de autoatendimento – nos Estados Unidos podem ser considerados ricos, ou pelo menos confortáveis, por esses padrões.

Por outro lado, lembre-se dos preços atuais. Uma regra prática para o que uma pessoa pode precisar para se aposentar confortavelmente é 10 vezes sua renda quando chegar à idade de aposentadoria. A renda familiar média dos entrevistados da pesquisa da Schwab foi de US$ 68 mil, o que significa que o aposentado médio precisaria de US$ 680 mil. Se ganhar um pouco mais do que a média, você pode ver rapidamente como até os US$ 774 mil que os entrevistados consideram “confortáveis” podem ficar desconfortáveis, principalmente com a inflação corroendo seu poder de compra.

O fato triste é que a maioria dos americanos não tem o suficiente para sobreviver na aposentadoria, muito menos para ter uma vida confortável ou extravagante. Uma pesquisa separada da empresa de investimentos Schroders – também realizada em fevereiro, quando o índice S&P 500 (SPX) estava cerca de 500 pontos mais alto – constatou que os americanos acham que precisarão de US$ 1,1 milhão para se aposentar confortavelmente. Mas menos de um quarto deles realmente espera atingir essa marca.

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Terrivelmente, mais da metade dos entrevistados da pesquisa da Schroders na aposentadoria ou perto da aposentadoria dizem ter economizado menos de US$ 250 mil. Novamente, tudo é relativo, e na maioria dos contextos, US$ 250 mil é muito dinheiro. Mas muitos americanos estão acordando para o fato de que é realmente caro estar “confortável” nos Estados Unidos em 2022.

Esta coluna não reflete necessariamente a opinião do conselho editorial ou da Bloomberg LP e de seus proprietários.

Mark Gongloff é editor da Bloomberg Opinion e redator da newsletter Opinion Today. Ex-editor-gerente da Fortune.com, ele liderou a cobertura de negócios e tecnologia do HuffPost e foi repórter e editor do Wall Street Journal.

--Este texto foi traduzido por Bianca Carlos, localization specialist da Bloomberg Línea.

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