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Startups

A segunda empresa da LatAm avaliada em mais de US$1 bi em uma semana: Dock

Fintech Dock, agora avaliada em US$ 1,5 bilhão, quer ajudar empresas clientes a expandirem pelos países da região

A Dock está avaliada em US$ 1,5 bilhão.
12 de Maio, 2022 | 01:51 pm
Tempo de leitura: 4 minutos

Bloomberg Línea — A Dock, plataforma brasileira de tecnologia para meios de pagamentos e serviços bancários, anunciou nesta quinta-feira (12) que captou US$ 110 milhões em Growth Capital em rodada liderada por Lightrock e Silver Lake Waterman, com participação dos já investidores Riverwood Capital, Viking Global Investors e Sunley House Capital. Com a rodada, a empresa está avaliada em US$1,5 bilhão, atingindo o valuation de um unicórnio - empresa privada avaliada em mais de US$ 1 bilhão - embora a empresa prefira não ser chamada assim. Nesta semana, a proptech colombiana Habi também atingiu o valuation bilionário.

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“Como uma empresa de 20 anos, e que foi transformada ao longo dos últimos 8 anos, a Dock entende que seu caminho é diferente daquelas tradicionalmente denominadas de unicórnios. Durante este período, a Dock acumulou diversos aprendizados com o mercado de startups e atuais unicórnios, mas vem em um caminho diferente”, disse a empresa, em comunicado.

A ideia da Dock é entregar produtos financeiros para empresas, desde bancos, fintechs, até outras indústrias. A Dock já tem 20 anos. A empresa, que antes se chamava Conductor, foi fundada por Antonio Soares, empreendedor já atuava no mercado corporativo com varejistas e consultorias. “Em um determinado momento no auge dos meus quarenta anos eu decidi literalmente largar tudo e fui para uma empresa que se chamava Conductor. A gente comprou 100% da empresa e foi aí que a Dock nasceu”, disse Soares, que é o CEO da Dock, em entrevista à Bloomberg Línea. A aquisição da Conductor foi feita junto da Riverwood Capital.

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No Brasil, a empresa opera com adquirência e emissões de cartões e agora está levando isso para outros países da América Latina, com conta digital e serviços bancários para que as empresas clientes sejam “seu próprio banco”. Isso funciona com a própria licença da Conductor para emitir cartões ou a licença do próprio cliente. Na América Latina, a empresa já tem mais de 300 clientes e mais de 65 milhões de contas ativas.

Soares explica que a fintech não faz take-rate da transação por ser um provedor de tecnologia. “A gente cobra pela tecnologia. Se você transaciona R$ 10 reais, 10 pesos ou US$ 10 dólares, para a gente é o mesmo. Cobramos uma taxa fixa pela transação”, explica.

Essa taxa tem relação com escala, ou seja, quanto mais transações o cliente faz, menos ele paga, segundo o CEO. “No começo fomos questionados se não estávamos deixando dinheiro na mesa. Eu gosto de olhar para trás porque foi dura essa discussão, mas a gente acreditou que essa era uma forma mais sustentável de manter a relação com o cliente”, disse.

No Brasil, a Dock opera com a licença de Instituição de Pagamento (a mesma do Nubank) e comprou uma empresa que a torna participante direta do arranjo de pagamentos do Pix. “A gente hoje possibilita que diversas empresas tenham Pix indireto em cima da nossa licença”, explicou Soares.

A Dock já era uma instituição de pagamento não regulada, mas obteve a regulação do Banco Central depois que comprou a empresa BPP. “O Banco Central aprovou a troca de controle [da licença] da BPP para a Dock”, disse o executivo.

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Também foi por meio de aquisição que a empresa chegou no México, com a compra da Cacao, empresa que tinha o mesmo modelo de negócio no país. Soares não descarta novas aquisições este ano. Em 2020, ano em que a empresa captou US$ 170 milhões, a Reuters publicou que a Conductor se preparava para um IPO.

No final de março deste ano, Soares disse para a Bloomberg Línea que a empresa não pretendia captar. “IPO para nós é uma consequência, a gente entende a responsabilidade com nossos acionistas mesmo sendo uma empresa de capital fechado. O IPO é uma das formas de capitalizar a empresa. Eu como CEO sempre vou estar olhando qual é a melhor forma de capitalizar a empresa”, disse.

Somando ao cartão de crédito, a Dock tem uma solução de Buy Now, Pay Later e está trabalhando em iniciativas de criptomoedas. A empresa quer atingir 1 bilhão de contas.

A Dock também tem seu próprio adquirente em estágio inicial no Brasil. “A gente vai ajudar nossos clientes que precisam de uma solução de adquirência, o intuito não é ser um adquirente tradicional”, disse Soares. “O pagamento está presente em tudo que fazemos hoje e a gente criou uma tecnologia que habilita que qualquer empresa tenha o mesmo serviço”.

Ano passado a Dock cresceu 55%, com uma média de crescimento de 45% nos últimos anos.

Expansão pela América Latina

A empresa já tinha presença no Peru e na Colômbia com um crescimento orgânico. Mas, Soares disse que a América Latina tem uma concentração bancária muito grande e quis acelerar para replicar o sucesso que teve no Brasil nos países da América Latina espanhola. Agora, com uma country manager na Colômbia e um escritório no México, a empresa quer acelerar na região. A fintech oferece solução baseadas em nuvem e embarca APIs em sua plataforma.

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“Temos um produto global que é uma conta corrente, os débitos e créditos, que é igual em todos os países”, disse Soares.

O modelo de negócio da Dock é voltado para que empresas clientes também façam sua expansão regional. “A gente democratiza meios de pagamento e a tecnologia para qualquer empresa entrar nesse segmento. Estamos proporcionando que empresas consigam operar em outros países através de nós. Tem cliente nosso do México que está vindo para o Brasil e do Brasil indo para outros países, usando a Dock como uma aceleradora”, explica.

(Matéria atualizada para explicar que a Dock não se considera unicórnio por ter “uma trajetória diferente das demais startups”)

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Isabela  Fleischmann

Isabela Fleischmann BR

Jornalista brasileira especializada na cobertura de tecnologia, inovação e startups