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Mercados

Companhias da América Latina negociadas em Nova York têm dia amargo

Mercado Livre teve pior queda em 13 anos em Nova York, com as bolsas americanas registrando a maior queda no ano

Ações de tecnologia despencam com investidores receosos pelo aumento da taxa de juros pelo Fed
Por Isabela Fleischmann BR e Mariano Espina (BR)
09 de Maio, 2022 | 06:35 pm
Tempo de leitura: 4 minutos

Bloomberg Línea — A semana começa com outra queda acentuada nas ações dos Estados Unidos e do mundo. Reflexo disso é que o S&P 500, índice que reúne as principais empresas listadas na NYSE e NASDAQ, e que foi negociado próximo ao menor patamar desde 2011, caiu 3,2%. Essa tendência de queda, semelhante à observada na quinta-feira passada, também impactou as ações de empresas de tecnologia da América Latina listadas em Wall Street, com resultados surpreendentes. O Nasdaq caiu 4,3%.

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O Nubank (NU) caiu 12,24% nesta segunda (9), enquanto a VTEX (VTEX) recuou 7,50% e PagSeguro (PAGS) Stone (STNE) caíram 6,16% e 7,53%, respectivamente.

À medida que as taxas de juros sobem para conter a inflação, investidores ficam mais receosos de comprar ações de empresas de tecnologia, com um investimento saindo mais caro para empresas que podem não gerar lucros substanciais a curto prazo, como afirmaram analistas do Credit Suisse, em relatório.

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O Nubank chegou ao valor de mercado mais baixo (US$ 22,9 bilhões) desde que fez seu sua oferta pública inicial (IPO) a uma avaliação de US$ 41,5 bilhões. Com as ações girando em torno do preço mínimo, os papéis da fintech já acumulam perda de cerca de 50% desde dezembro do ano passado. O Nubank anuncia seus resultados do primeiro trimestre de 2022 na próxima semana.

As ações do Mercado Livre (MELI), que já haviam caído 10% na quinta-feira, fecharam a sessão desta segunda-feira em queda de 16,88%. A Decolar (DESP), por sua vez, registrou sua maior queda em cinco meses, perdendo 7,82%.

Mercado Livre em colapso

O unicórnio fundado pelo argentino Marcos Galperin dobrou o volume médio de operações nos últimos 20 dias, e registrou variação negativa de 16,88%, a maior queda em 13 anos.

A ação caiu para o nível de US$ 800, ou cerca de US$ 1.000 a menos do que estava sendo negociada em julho de 2021. A volatilidade implícita de um mês foi de 89%. Das ações negociadas, 23% foram negociadas ao preço de compra e 16% ao preço de venda.

Dessa forma, o valor de mercado da empresa focada em e-commerce e fintech caiu para US$ 40 bilhões, ou mais de 60% menos do que valia em janeiro de 2021.

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O colapso do Mercado Livre ocorre apesar de um primeiro trimestre em que superou as expectativas dos analistas e depois de anunciar sua intenção de fechar 2022 com mais 14.000 funcionários em toda a região. “As variações refletem uma situação generalizada por múltiplos fatores, mas principalmente pela política monetária mais agressiva do Fed. Embora a empresa presidida por Marcos Galperin tenha sofrido uma correção, não podemos deixar de observar o que aconteceu com a Nasdaq, ou com outras empresas do mesmo segmento”, analisou Damián Vlassich, analista de pesquisa do IOL Investonline.

Decolar derrete

Para a agência de viagens digital, que está saindo de dois anos complexos devido à pandemia de coronavírus, também não foi um dia agradável, considerando que sofreu a maior queda em cinco meses, superando as perdas do S&P 500. As ações caíram mais de 7% para seu nível mais baixo desde 20 de janeiro.

A volatilidade implícita de um mês foi de 85%. O índice de força relativa da ação estava abaixo de 30, indicando que pode ser vendido em excesso, explicou a Bloomberg News.

Dias atrás, foi confirmada a notícia de que a Decolar adquiriu 100% da Viajanet, agência de viagens online no Brasil.

A análise

Os analistas estavam pessimistas sobre o potencial de uma recuperação duradoura no curto prazo.

“Depois de dois meses de alta entre fevereiro e março, as ações argentinas vêm experimentando uma correção de baixa desde abril”, explica Santiago Ruiz Guiñazú, chefe de vendas e negociação de ações da Adcap Grupo Financiero à Bloomberg Línea. E acrescenta que a nível local, “as expectativas não são animadoras para o resto do ano”.

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Vlassich, da IOL, vincula os movimentos dos mercados à decisão tomada na semana passada por Jerome Powell, chefe do Federal Reserve dos EUA, anunciando um novo aumento de juros. “Depois do que havia sido um 2021 com retornos marcantes, em sintonia com a mudança de política por parte do Fed, o mercado parece ter dado uma guinada drástica em 2022, e agora a volatilidade ganhou muito destaque na principal seletiva de Nova York”, disse.

Sobre a queda refletida hoje nos ADRs argentinos, ele disse: “Embora a queda acentuada que algumas empresas argentinas como Mercado Livre ou Decolar estão registrando possa ser estranha ou gerar vários questionamentos nos investidores, a realidade é que isso se deve ao contexto atual que regem os mercados. É evidente que as variações refletem uma situação generalizada em função de múltiplos fatores, mas principalmente em função da política monetária mais agressiva do Fed”, concluiu o analista do IOL.

Olhando para frente

Ruiz Guiñazú sustenta que “as valorizações das empresas estão em valores historicamente baixos e poderão ter uma ligeira melhoria com um contexto externo mais favorável”. “Isso é visto especialmente nos bancos, onde os bancos argentinos Macro, Grupo Supervielle e BBVA Banco Francés negociam em média apenas 20% acima das mínimas de março de 2020″, disse ele. “Vemos que o mercado local, com pouca liquidez, continuará correlacionado com o que acontece no Brasil”, concluiu o especialista.

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Isabela  Fleischmann

Isabela Fleischmann BR

Jornalista brasileira especializada na cobertura de tecnologia, inovação e startups

Mariano Espina

Mariano Espina (BR)

Jornalista argentino com especialização em política. Anteriormente, trabalhou nas redações do jornal El Economista e do portal Data Clave. Graduado em jornalismo pela Universidade de El Salvador.