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Acionistas do Nubank podem vender US$ 26 bi em ações com fim do lock-up

Restrição à venda de ações do banco digital termina em 17 de maio, após a divulgação dos resultados do primeiro trimestre

O Nubank atualmente tem um valor de mercado de US$ 28 bilhões - abaixo da rodada privada que o avaliou em US$ 30 bilhões
Por Vinícius Andrade e Felipe Marques
03 de Maio, 2022 | 10:49 am
Tempo de leitura: 2 minutos

Bloomberg — O Nubank (NU) pode sofrer mais pressão com a aproximação do fim de um lock-up de bilhões de dólares de seus papéis.

A restrição à venda de ações do banco digital termina em 17 de maio, após a divulgação dos resultados do primeiro trimestre, e um total de US$ 26 bilhões em papéis poderá passar a ser negociado em mercado, de acordo com cálculos da Bloomberg com base no prospecto e outros documentos regulatórios.

O Nubank atualmente tem um valor de mercado de US$ 28 bilhões - abaixo da rodada privada que o avaliou em US$ 30 bilhões e atraiu a Berkshire Hathaway, de Warren Buffett, no primeiro semestre de 2021. Nesta terça-feira, as ações do Nubank chegaram a cair até 8,6%, a US$ 5,45, atingindo a mínima intradiária histórica.

O fim do lock-up está entre os “riscos-chave” para a tese de investimento do Nubank, analistas do Goldman Sachs (GS) liderados por Tito Labarta escreveram em relatório de 29 de abril. O Goldman, que tem uma recomendação de compra para o papel, iniciou cobertura das ações no mês passado com um preço-alvo que sugere alta potencial de cerca de 100% em relação ao fechamento de segunda-feira.

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Ainda assim, os fundadores da companhia e seus principais investidores - que incluem Tencent, DST Global e Sequoia Capital - podem optar por manter os papéis na carteira apostando na tese de longo prazo de transformar o sistema financeiro brasileiro. Mas a perda de valor das ações tem feito pouco para reforçar a confiança dos investidores, ao menos no curto prazo.

Desde sua abertura de capital em dezembro, o Nubank vem tentando convencer o mercado de que pode entregar o crescimento prometido mesmo com a deterioração do ciclo de crédito no Brasil, diante do aumento da inflação e das taxas de juros. O banco encerrou o ano passado com mais de 53 milhões de clientes no Brasil, México e Colômbia.

O Nubank está focado no crescimento de longo prazo e na criação de valor aos acionistas, disse a companhia, em nota enviada à Bloomberg News. O Nubank também reafirmou sua posição de “procurar investidores de qualidade e de longo prazo, que estão alinhados com nossa visão estratégica para o negócio”.

A ação não escapou ilesa em meio à forte correção nas ações de tecnologia. A guinada “hawkish” do Federal Reserve fez os rendimentos dos títulos americanos dispararem, o que pesou especialmente sobre nomes de alto crescimento. O Nubank caiu 34% desde a oferta pública inicial, perdendo cerca de um terço do seu valor de mercado.

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O total de ações que pode chegar ao mercado representa mais de 90% das ações totais. O Nubank já havia estabelecido duas outras janelas para que alguns acionistas pudessem vender parte de suas ações, mas as condições de preço não foram atingidas. Não há restrição de preço para a terceira e última janela de venda.

(Atualiza com movimento das ações e comentários do Nubank)

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