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Mercados

Yields reais positivos nos EUA pioram perspectiva de emergentes

Lista de preocupações de gestores em países emergentes cresce com yield positivo dos títulos do Tesouro americano acima de zero, pela primeira vez em dois anos

A stack of British one pound coins sit on an arrangement of US dollar banknotes in this arranged photograph in London, U.K., on Monday, July 22, 2019. The pound may fall to parity with the dollar on a no-deal Brexit, according to Morgan Stanley. Photographer: Jason Alden/Bloomberg
Por Netty Idayu Ismail e Marcus Wong
25 de Abril, 2022 | 02:41 pm
Tempo de leitura: 2 minutos

(Bloomberg) -- A longa lista de preocupações para os gestores de mercados emergentes corre o risco de se expandir ainda mais com rendimentos reais positivos nos EUA, que pioram uma perspectiva já obscurecida pela desaceleração do crescimento e pela guerra na Ucrânia.

Os primeiros sinais de alerta vieram na semana passada, quando o yield ajustado pela inflação dos títulos do Tesouro americano de 10 anos subiu brevemente acima de zero pela primeira vez em dois anos.

Embora o nível não tenha se mantido por muito tempo, sinalizou uma virada. A era dos rendimentos negativos que levaram os investidores a correr para os mercados emergentes em busca de retornos mais altos pode estar chegando ao fim, à medida que o Federal Reserve aumenta juros de forma agressiva.

Um aumento sustentado e significativo dos rendimentos reais nos EUA seria uma má notícia para os países em desenvolvimento, pois normalmente puxa uma alta do dólar e suga capital de ativos mais arriscados, como aconteceu em 2008 e 2013.

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Os investidores já se preparam para esse resultado: a Franklin Templeton corta posições em dívidas de alto rendimento, enquanto a Fidelity International aposta contra moedas de mercados emergentes e a State Street evita dívidas locais de nações com finanças fracas.

“À medida que os rendimentos dos EUA entram em território positivo, isso começa a apertar as condições financeiras e pressiona muitos mercados emergentes, particularmente os mais fracos”, disse. Mohieddine Kronfol, diretor de investimentos de renda fixa para Oriente Médio e Norte da África na Franklin Templeton. “Ainda achamos que há muito com o que se preocupar, desde crescimento à geopolítica e da inflação à política monetária”.

Não se trata apenas da chegada de rendimentos reais positivos nos EUA, mas do fato de que chegam em um momento ruim para os mercados emergentes. A inflação no mundo em desenvolvimento permanece alta no segundo trimestre, o que desmente a expectativa de alguns gestores de que atingiria o pico no final de março.

Isso significa que levará ainda mais tempo antes que as próprias economias emergentes possam oferecer aos investidores juros reais positivos, o que os deixa em desvantagem em relação aos EUA. Até 35 das 42 nações monitoradas pela Bloomberg têm taxas negativas. Os 47% negativos da Turquia são a pior taxa real do mundo.

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“Estávamos esperando que a inflação dos mercados emergentes começasse a atingir o pico já no primeiro trimestre, mas ficou impossível prever após o forte aumento nos preços das commodities com a guerra na Ucrânia”, disse Guido Chamorro, co-diretor de dívida em moeda forte de mercados emergentes na Pictet Asset Management.

©2022 Bloomberg L.P.