Internacional

Risco de recessão global até o final do ano aumenta com inflação

Redução de estímulos e aumento nas taxas básicas, além da guerra e da pandemia, intensificam riscos de contração

Quase todos os países estão passando por um período de desaceleração
Por Katia Dmitrieva
12 de Abril, 2022 | 12:10 pm
Tempo de leitura: 2 minutos

Bloomberg — A economia global deve recuar até o final do ano, e os riscos de recessão são elevados no contexto da invasão da Ucrânia e das paralisações relacionadas ao surto de covid-19 na China, segundo o Peterson Institute for International Economics.

Uma combinação de fatores – incluindo a alta dos preços do petróleo após a guerra na Europa, uma retração do consumidor em meio aos preços mais altos em quatro décadas e a desaceleração do crescimento na China – aumenta as chances de uma contração, disse o instituto de pesquisa com sede em Washington em relatório.

O grupo é o mais recente a sinalizar preocupações com uma recessão, com economistas consultados pela Bloomberg relatando perigos crescentes de uma desaceleração. O principal conselheiro econômico da Casa Branca, Brian Deese, disse na segunda-feira (11) que os Estados Unidos enfrentam muita incerteza, mas não comentou sobre o risco de recessão.

O crescimento global desacelerará para 3,3% este ano e no próximo, em comparação com 5,8% em 2021, disse o Peterson Institute, acrescentando que os EUA devem crescer 3% este ano e 2% em 2023. As previsões estão em linha com estimativas de economistas de crescimento anualizado médio nos EUA de 3,3% este ano, seguido por um esfriamento para 2,2%, segundo pesquisa da Bloomberg este mês.

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“Após um ano de recuperação da fraqueza relacionada à pandemia, quase todos os países estão vendo uma desaceleração significativa do crescimento econômico”, disse Karen Dynan, membro sênior do PIIE e ex-economista-chefe do Departamento do Tesouro dos EUA, no relatório.

Perspectivas de inflação

Depois de uma recuperação à medida que países reabriam, com estímulos governamentais, as economias estão enfrentando ventos contrários: os consumidores estão com dificuldades para aceitar preços elevados e problemas na cadeia de suprimentos reduziram a entrega de mercadorias.

A invasão da Ucrânia pela Rússia exacerbou ainda mais esses problemas, enquanto a China impôs lockdowns em várias regiões importantes para enfrentar surtos de coronavírus, e essas medidas devem desacelerar o crescimento econômico do país.

O núcleo da inflação dos EUA diminuirá para 4,1% este ano e cairá ainda mais para 3% em 2023, de acordo com o PIIE – ainda acima da meta de 2% do Federal Reserve.

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Os formuladores de políticas do Fed apertaram as taxas de juros em 0,25 ponto percentual e sinalizaram sete aumentos no total este ano. Embora isso deva ajudar a esfriar os preços, o Fed corre o risco de corrigir demais, disse o PIIE.

Uma política mais rígida reduziria a demanda por trabalhadores, com a escassez diminuindo e elevando a taxa de desemprego para 4,5%, acima do período pré-pandemia, segundo o grupo.

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