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Startups tentam diminuir ‘abismo logístico’ entre asfalto e favela

Iniciativa da naPorta em parceria com a OneDoor já realizou mais de 5 mil entregas para moradores de comunidades somente em 2022

Pobreza. Cada país utiliza una metodología distinta para medirla. Foto: Rodrigo Capote/Bloomberg
07 de Abril, 2022 | 04:07 am
Tempo de leitura: 2 minutos

Bloomberg Línea — Cerca de 8% da população brasileira mora em favelas. O número corresponde a 17,1 milhões de pessoas, segundo dados de 2021 do Instituto Locomotiva, em parceria com o Data Favela e a Centra Única das Favelas (Cufa). Como a tecnologia poderia ajudar a diminuir os contrastes sociais e estruturais desta população, pelo menos no que diz respeito a serviços de entrega?

Essa é a pergunta que levou Sanderson Pajeú, ex-morador de um bairro periférico da Zona Leste de São Paulo, a enxergar uma oportunidade de negócio e uma forma de ajudar outros consumidores que, assim como ele, não conseguiam receber suas compras em casa.

“A maior dificuldade é o acesso a serviços básicos que o asfalto possui, como entregas de e-commerce, remédios, alimentação e até mesmo serviços essenciais como água e saneamento, simplesmente pelo CEP de suas casas”, disse Pajeú, que é fundador e CEO da naPorta, uma startup que trabalha no setor de última milha, termo usado para o processo de entrega final de mercadorias e serviços.

O serviço foi lançado em 2021, com operações na Cidade de Deus e adjacências. Mas foi através de uma parceria com a OneDoor, plataforma de orquestração logística para digitalizar e otimizar as soluções oferecidas pela naPorta, que foi possível pensar em expandir a operação.

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Com isso, através de um ecossistema, a companhia agora consegue conectar grandes empresas de e-commerce, como Renner e Riachuelo, e gigantes do delivery, como o iFood, a moradores de comunidades que, por razões estruturais, não podiam receber suas compras em casa por simplesmente não terem um CEP ou por morarem em áreas consideradas de risco.

Os moradores também são incumbidos a participarem de outra etapa deste processo - tão importante quanto qualquer outra: as entregas. Isso porque todos os entregadores e líderes operacionais da empresa são obrigatoriamente moradores da região de entrega.

“O morador é alguém que cresceu e vive a realidade daquela região diariamente. Ninguém melhor do que os próprios moradores para conhecerem cada viela, cada beco, cada rua que, hoje, a gente pode não ter mapeado”, diz Sanderson.

Nicho de mercado

A naPorta estima que pelo menos 60 milhões de brasileiros vivam em áreas com algum tipo de restrição de entregas. Destas, pelo menos 13 milhões são de favelas. E o acesso e mapeamento destas regiões segue como um dos maiores desafios enfrentados por ambas empresas, como conta Parsival Ferreira Araújo, confundador e CEO da Onedoor.

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“A maior dificuldade é o acesso a essas regiões e mapeamento delas, justamente por serem regiões muito restritas e que estão em constante mudança. Entretanto, analisando esse cenário, vimos uma grande oportunidade”, conta Araújo.

Sobre os planos de expansão da operação, Sanderson conta que as operações da empresa miram já no segundo semestre de 2022 o atendimento de outras comunidades do Rio de Janeiro e também de São Paulo, e que a ideia é “potencializar soluções desenvolvidas pelas próprias comunidades”, mantendo os moradores como uma figura central nos serviços da startup.

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Melina  Flynn

Melina Flynn

Melina Flynn é jornalista naturalizada brasileira, estudou Artes Cênicas e Comunicação Social, e passou por veículos como G1, RBS TV e TC, plataforma de inteligência de mercado, onde se especializou em política e economia, e hoje coordena a operação multimídia da Bloomberg Linea no Brasil.

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