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Brasil vive melhor momento de mercado de criptomoeda, dizem executivos

Segundo Roberto Dagnoni, Chairman e CEO da 2TM, as startups de criptomoedas estão super capitalizadas para 2022

Roberto Dagnoni, CEO da 2TM, holding do Mercado Bitcoin
04 de Abril, 2022 | 11:30 am
Tempo de leitura: 3 minutos

Bloomberg Línea — Em 2014, quando a startup Foxbit começou a operar com criptomoedas no Brasil, João Canhada, CEO e fundador da empresa, disse que não conseguiu fundos de capital de risco dispostos a investir no setor no país. Em entrevista com a Bloomberg Línea, ele disse que na época o Bitcoin era “criminalizado”.

“Teve um momento que eu simplesmente larguei. Pensei que não iria falar mais com fundo nenhum. VC no Brasil tinha medo de risco, só queria investir no que já tinha certeza. Então foquei no trabalho. Entreguei valor, construí um castelo legal e o pessoal veio bater na porta”, disse. Oito anos depois, o cenário é bem diferente.

Roberto Dagnoni, Chairman e CEO da 2TM, holding do Mercado Bitcoin, disse que o momento atual é o mais interessante para criptomoedas, na esteira de investimentos recordes de fundos de capital de risco em startups de cripto em 2021. “As startups estão super capitalizadas para 2022″, disse, no evento VC LatAm Summit, realizado na última semana.

“Vimos a ascensão dos NFTs e metaverso. No início de 2021, NFT nem existia e no final de 2021 foi a palavra do ano. Está só começando, tem muita coisa para acontecer”, afirmou Dagnoni, durante seu painel.

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A Foxbit vivenciou os altos e baixos do mercado de criptomoedas. Em 2016, a empresa fechou o ano com 10 pessoas negociando R$ 50 milhões. Em 2017, a companhia tinha 65 funcionários, negociando R$ 3,5 bilhões no ano. Em 2018, a Foxbit chegou a ter 90 pessoas, mas o mercado entrou em declínio, com a criptomoeda saindo de R$ 70 mil para R$ 12 mil.

“Tivemos que fazer desligamento em massa, vivenciamos toda essa baixa de mercado”, disse Canhada, em entrevista. No mesmo ano, ele perdeu seu sócio, Guto Schiavon, em um acidente de carro.

Em 2019, o CEO reiniciou a empresa. Contratou novas pessoas e comprou uma companhia que tinha uma tecnologia de bolsa de cripto. “Desde então o mercado ajudou, 2021 foi um ano fantástico. Saímos de cinco criptomoedas listadas na Foxbit em janeiro de 2021 para 40 criptomoedas em dezembro de 2021. Aumentamos bastante o portfólio de produtos, além disso, a tecnologia própria permitiu que a gente iniciasse no B2B”.

Assim como a Paxos opera criptomoedas para o Mercado Pago, fintech do Mercado Livre, a Foxbit trabalha com a carteira digital da 99, a 99Pay.

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Neste ano, a empresa recebeu seu primeiro aporte, uma Série A de US$ 21 milhões da chinesa OK Group, que em volume negociado diariamente só perde para a Binance, segundo Canhada. “A OK Group transaciona mais de US$ 20 bilhões por dia. O que o mercado brasileiro negocia em um ano, meu sócio negocia em um dia”.

Segundo o executivo, com essa parceria a Foxbit tem acesso aos produtos que a OK Group oferece. “A gente até recebeu ofertas de fundos nessa Série A [maiores do que US$ 21 milhões], mas a gente entendeu que ter menos dinheiro e um parceiro estratégico era mais produtivo do que ter mais dinheiro e ter que construir tudo do zero”.

De acordo com Canhada, mesmo que a OK Group não divulgue seu valuation, a empresa é “provavelmente três ou quatro vezes maior do que o Itaú em valor de mercado”.

Há uma semana o jornal O Estado de S.Paulo publicou uma reportagem dizendo que a bolsa de criptomoedas norte-americana Coinbase deve comprar a 2TM. Para Canhada, se o acordo se concretizar, é bom porque ajuda a “marcar múltiplos para os players locais”.

“Assim como a captação do Mercado Bitcoin acabou ajudando de certa forma os players locais, acho que estamos na mesma rua. E ter uma casa bonita na rua valoriza o bairro”, disse.

Recentemente, a Binance anunciou que terá um escritório no Rio de Janeiro, cidade que deverá aceitar criptomoedas como pagamento do IPTU.

Canhada considera positivo que players internacionais estejam olhando com tanto para o Brasil, mas disse que é duro para o empreendedor local porque fica mais difícil a contratação de talentos. “O Brasil é um local estratégico. Se você quer estar na América Latina, o Brasil representa mais de 50% do que é América Latina. E o governo aceitar cripto como meio de pagamento de tributos é um passo muito interessante, mas ainda pequeno do que pode ser. Acho interessante e arrojado o movimento do Rio de Janeiro”.

Isabela  Fleischmann

Isabela Fleischmann BR

Jornalista brasileira especializada na cobertura de tecnologia, inovação e startups