Por que ter CEO formado em Administração pode reduzir salários na empresa

Formação do líder da empresa pode ser usada em prol da redução de custos quando necessário

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Bloomberg — Por que os empregados pedem as contas? Uma razão pode ser o diploma de Administração pendurado na parede da sala do CEO.

Tanto nos Estados Unidos quanto na Dinamarca, quando um líder formado em Administração de Empresas substitui alguém que não tem essa formação, o resultado é uma “queda significativa nos salários” dos funcionários ao longo dos próximos cinco anos. Esta é a conclusão de um artigo que tem entre seus autores o economista Daron Acemoglu, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, na sigla em inglês). Além disso, gestores formados em Administração não têm impacto tão positivo na produção ou produtividade da companhia, segundo a pesquisa. Em vez disso, eles estimulam a partida de funcionários valiosos.

“Não há evidências de que os gestores com formação em negócios sejam mais produtivos ou aumentem as vendas em relação aos que não são da área de negócios. Em vez disso, são as políticas salariais diferenciadas deles que se traduzem em maiores lucros e maior retorno para os acionistas”, afirmaram os pesquisadores. “A mudança para líderes formados em administração tem custos associados ao aumento dos pedidos de demissão, especialmente entre os trabalhadores mais qualificados.”

As conclusões, tiradas a partir dos dados de aproximadamente 9,9 mil empresas dos EUA listadas em bolsa e com informações completas sobre CEOs no período de 1980 a 2020, chegam em um momento em que milhões de americanos estão pedindo as contas. Os empregadores são forçados a aumentar esforços para recrutar e reter talentos, o que inclui salários mais altos — e empurra os custos trabalhistas para novas máximas.

Remuneração insatisfatória

Os salários vêm aumentando, mas não acompanham a inflação. A insatisfação com a remuneração foi o fator mais citado nas demissões voluntárias, de acordo com uma pesquisa recente da consultoria Mercer junto a empregadores.

Os dados salariais foram extraídos de informações do Censo dos EUA de 1987 a 2018. Entre os pesquisadores que participaram do estudo estão Alex He, professor de finanças da Universidade de Maryland, e o economista Daniel le Maire, da Universidade de Copenhague.

Especialista em desigualdade salarial, Acemoglu já publicou trabalhos e deu depoimento ao Congresso afirmando que a automação – com ajuda da tributação favorável que catalisa esse investimento – pode piorar a desigualdade de renda e patrimônio nos EUA. Uma pesquisa realizada pelo banco central, o Federal Reserve, junto a diretores financeiros no ano passado descobriu que, entre empresas com dificuldade de contratar pessoal, um terço está implementando ou analisando esquemas de automação para substituir trabalhadores por máquinas.

Companhias enxutas

Líderes sem diploma de Administração compartilham o espólio da melhora das condições da empresa de maneira mais ampla do que os líderes da área de negócios, segundo o estudo. Os autores postulam que isso pode ser resultado de teorias e ideologias incutidas nesses executivos durante sua formação, incluindo a mentalidade das “companhias enxutas” e o mantra de Milton Friedman de que o valor para o acionista vem acima de tudo.

“Sob a influência deles, (alguns) gestores começaram a ver trabalhadores não como partes interessadas na companhia, mas como fontes de custos a serem reduzidos”, afirmou o estudo. As empresas podem recorrer a CEOs com diploma de Administração “quando precisam cortar custos com mão de obra”.

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