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Internacional

Siderúrgica russa é a primeira a não pagar dívida no exterior

Embora tenha muito dinheiro em caixa, a companhia não conseguiu liquidar um cupom de US$ 12,6 milhões referente a títulos denominados em dólar

A empresa em si não está em nenhuma lista de sanções, mas o acionista majoritário, Alexey Mordashov, entrou nas listas da União Europeia e do Reino Unido
Por Bloomberg News
24 de Março, 2022 | 11:19 am
Tempo de leitura: 2 minutos

Bloomberg — A Severstal é a primeira empresa da Rússia a perder o prazo para pagamento de juros sobre a dívida externa desde o início da guerra na Ucrânia. O Citigroup barrou a transação e agora a siderúrgica pode ser declarada inadimplente pelos credores.

Embora tenha muito dinheiro em caixa, a companhia não conseguiu liquidar um cupom de US$ 12,6 milhões referente a títulos denominados em dólar. O período de carência de cinco dias terminou na quarta-feira. A Severstal afirma que deseja pagar, mas que o Citigroup — correspondente bancário da subsidiária que emitiu a dívida — está bloqueando o pagamento. Segundo uma pessoa a par do assunto, o Citigroup orientou a empresa a solicitar permissão do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros dos EUA (conhecido pela sigla OFAC) antes que o dinheiro seja remetido. No entanto, nem a empresa nem seus controladores foram sancionados pelo governo americano.

“É uma situação extraordinária para nós”, afirmou o CEO Alexander Shevelev. “Seguimos em consultas com parceiros e fazendo o possível para garantir que os detentores dos títulos recebam os recursos de acordo com os termos da emissão dos títulos. Espero que essa injustiça seja resolvida logo e que os direitos dos detentores dos títulos sejam respeitados.” Nesta quinta-feira, dois deles confirmaram que não foram pagos.

A empresa em si não está em nenhuma lista de sanções, mas o acionista majoritário, Alexey Mordashov, entrou nas listas da União Europeia e do Reino Unido. Nessas jurisdições, sanções a pessoas físicas geralmente se estendem a todas as empresas que possuem ou controlam. Mas como Mordashov não foi incluído em sanções dos EUA, a Severstal não fez uma solicitação preventiva ao OFAC, segundo uma fonte com conhecimento da questão. Um porta-voz do Tesouro dos EUA afirmou na quarta-feira que não poderia fazer comentários sobre interações com uma pessoa ou empresa não sancionada pelo país.

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O Citibank de Nova York é o correspondente bancário da subsidiária da siderúrgica em Luxemburgo que emitiu os títulos. O Citibank de Londres atua como agente pagador e fiduciário dos papéis, segundo comunicado da empresa.

O não pagamento é um marco indesejável para os investidores e para as empresas da Rússia. Apesar das muitas sanções e dos novos controles de capital que vêm enfrentando desde a invasão da Ucrânia, a maioria das companhias russas conseguiu liquidar dívidas em moeda estrangeira em tempo hábil. A operadora ferroviária do país, por exemplo, atrasou o pagamento de juros, mas transferiu recursos para os detentores dos títulos antes do final da carência.

Para a Severstal, o período de carência foi curto demais para solucionar o problema levantado pelo Citigroup. “A Severstal tem duas opções – a primeira é obter uma licença do OFAC para fazer pagamentos”, disse Dmitry Dorofeev, gestor de carteiras da Alfa-Capital Asset Management em Moscou. “Se isso não der certo, então haverá um default formal, criação do comitê de credores, contratação de assessores e comunicação com a empresa de reestruturação. Mas é um processo longo.”

Os títulos de dívida somando US$ 800 milhões vencem em 2024 e pagam taxa anual de 3,15%.

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