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Cripto

Soma de finanças descentralizadas com criptomoedas gera temores

Especialistas alertam para risco do sistema financeiro com produtos não autorizados

Risco para o sistema financeiro pode aumentar com mais moedas digitais
Por Olga Kharif
19 de Março, 2022 | 05:18 pm
Tempo de leitura: 1 minuto

Muitas das características negativas do sistema bancário paralelo — como a alavancagem excessiva e a falta de visibilidade que precipitaram a crise financeira global de 2008 — já se infiltraram no segmento de finanças descentralizadas, conhecido pela abreviação em inglês DeFi.

Este foi o alerta de Hilary Allen, professora da faculdade de Direito da American University em Washington, em seu artigo recente, intitulado “DeFi: Shadow Banking 2.0?”

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A menos que as autoridades reguladoras ajam para supervisionar fortemente esse setor em ascensão das criptomoedas, o risco para o sistema financeiro mais amplo aumentará, segundo ela. O sistema bancário paralelo — conhecido como shadow banking — é formado por credores, corretoras e outros intermediários que estão fora do grupo dos bancos regulamentados tradicionais. As vítimas mais infames e notáveis foram o Lehman Brothers e o Bear Stearns, que quebraram com o colapso do mercado de hipotecas subprime nos EUA.

O empréstimo é uma das principais funções das finanças descentralizadas. Mais de 160 aplicativos permitem que os usuários negociem, concedam e assumam empréstimos sem intermediários e até de forma anônima. Muitos oferecem retorno de dois dígitos em troca do empréstimo de tokens. O valor total dos ativos “presos” em aplicativos DeFi chega perto de US$ 120 bilhões, segundo a firma de rastreamento de dados DappRadar.

O fluxo envolvido nessas transações chama a atenção de instituições financeiras mais tradicionais. O Société Générale está desenvolvendo empréstimos DeFi. O HSBC Holdings acaba de adquirir um lote de imóveis virtuais no metaverso Sandbox. Diversas instituições financeiras, incluindo a Silvergate Capital, e um grupo de bancos de pequeno porte planejam ou já emitem suas próprias stablecoins, que são amplamente utilizadas para facilitar as transações DeFi.

“Instituições financeiras estabelecidas estão ávidas pelo dinheiro que está sendo gerado nesse espaço”, disse Allen em entrevista. “A preocupação do ponto de vista de crescimento do segmento e a de estabilidade financeira é se as instituições financeiras enxergarem lucros nesse espaço.”

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