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Internacional

Biden vai dialogar com Xi Jinping para pressionar Putin

EUA acreditam que China vem apoiando a Rússia tacitamente, embora o gigante asiático não tenha feito comentários explícitos sobre o assunto

Será o primeiro diálogo entre China e EUA desde invasão da Ucrânia pela Rússia
Por Jennifer Jacobs, Jenny Leonard e Justin Sink
17 de Março, 2022 | 03:56 pm
Tempo de leitura: 3 minutos

Bloomberg — O presidente Joe Biden tentará persuadir Xi Jinping a aumentar a pressão sobre Moscou para encerrar a guerra na Ucrânia na sexta-feira (18), em seu primeiro telefonema com o presidente chinês desde o início da invasão.

Autoridades dos Estados Unidos apresentaram dificuldades para identificar a posição da China na guerra, já que Pequim evitou críticas públicas ao presidente russo Vladimir Putin e ofereceu apoio retórico à Ucrânia.

O conselheiro de segurança nacional da Casa Branca, Jake Sullivan, se reuniu com o principal diplomata da China e membro do Politburo, Yang Jiechi, em Roma na segunda-feira (14) por cerca de seis horas, mas nenhum dos lados anunciou um resultado firme das negociações.

Publicamente, a China disse que está tentando ajudar a promover a diplomacia para interromper o conflito. Contudo, as autoridades dos EUA estão preocupadas que Pequim possa ajudar a Rússia a evadir as sanções econômicas ou até mesmo fornecer-lhe armas, pois os dois países declararam pouco antes da invasão que sua amizade “não tinha limites”.

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A secretária de imprensa da Casa Branca, Jen Psaki, disse em comunicado na quinta-feira (17) que a ligação “faz parte de nossos esforços contínuos para manter abertas as linhas de comunicação”.

“Os dois líderes discutirão o gerenciamento da competição entre os dois países, bem como a guerra da Rússia contra a Ucrânia e outras questões de interesse mútuo”, disse Psaki.

A ligação será a primeira conversa de Biden e Xi desde novembro, quando fizeram uma reunião virtual de quase quatro horas.

O governo Biden tentou persuadir Pequim a não contribuir para a guerra. A visão da Casa Branca é que a China apoiou tacitamente a invasão russa, e os EUA alertaram repetidamente o governo de Xi que sofreria consequências se oferecesse apoio direto ao Kremlin – inclusive na reunião de Sullivan com Yang.

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A China nega ter apoiado a guerra e também negou os relatos dos EUA de que a Rússia solicitou ajuda financeira e militar logo após a invasão, chamando as declarações de “desinformação”. O Kremlin também negou esses relatos.

As autoridades dos EUA, por sua vez, expressaram indignação pelo fato de a China ter ajudado a ampliar as alegações russas de um projeto de armas biológicas nos EUA e na Ucrânia – desinformação que a Casa Branca considera um possível pretexto para o Kremlin ordenar seu próprio ataque com armas químicas ou biológicas.

Mesmo assim, o embaixador da China na Ucrânia fez alguns dos comentários mais favoráveis de Pequim até o momento quanto ao país devastado pela guerra, e suas observações foram endossadas na quinta-feira pelo Ministério das Relações Exteriores da China.

O embaixador Fan Xianrong disse ao governador de Lviv, Maksym Kozytskyi, durante uma reunião na segunda-feira, que a China era um “país amigo do povo ucraniano” e “nunca atacaria a Ucrânia”, segundo resumo publicado no site do governo de Lviv. Ele passou a elogiar a força e a unidade demonstrada pelo povo ucraniano, em uma aparente referência à sua resistência à invasão em curso.

Questionado sobre os comentários de Fan em uma coletiva na quinta-feira, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Zhao Lijian, disse: “a China certamente apoia os comentários de nosso embaixador na Ucrânia. A China apoia todos os esforços que visem aliviar a situação e chegar a um acordo político”.

Um dia antes, Zhao havia dito que “não estava ciente” dos comentários, alimentando a incerteza sobre Fan ter expressado a posição do governo central.

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A relação entre os EUA e a China – as duas maiores economias do mundo – continua tensa em geral enquanto ambos discutem políticas econômicas e questões de direitos humanos. O governo Biden prometeu ações contra o que considera práticas econômicas não comerciais prejudiciais da China, mas ainda não anunciou as medidas.

Biden e Xi conversaram pela última vez em novembro, durante uma videoconferência na qual Biden enfatizou que as duas superpotências precisam estabelecer barreiras para garantir que sua competição econômica e política externa não se transforme em conflito armado.

--Com a colaboração de Peter Martin.

--Este texto foi traduzido por Bianca Carlos, localization specialist da Bloomberg Línea.

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