Estilo de vida

Empresas avaliam jornada semanal de 3 ou 4 dias na Colômbia

Trabalhadores querem flexibilidade, localização e propósito; debate sobre jornada de trabalho de 4 dias ganha força no país

Oferecer flexibilidade ajuda empresas a reter talentos em um mercado de trabalho apertado
12 de Março, 2022 | 08:29 am
Tempo de leitura: 3 minutos

Bloomberg Línea — A mudança rumo a modelos de trabalho flexíveis na Colômbia trouxe de volta para discussão a adoção da jornada de trabalho de quatro dias, à medida que algumas organizações anunciam vagas nesses modelos visando reter talentos e oferecer melhor equilíbrio para funcionários.

“Não vivemos para trabalhar, trabalhamos para viver”, escreveu em seu blog o Grupo Hada, empresa dedicada à fabricação de sabonetes e outros produtos de limpeza e higiene pessoal que adotou a jornada de quatro dias de trabalho para as áreas em que fosse possível.

Enquanto isso, a empresa de gestão de folha de pagamento Deel disse à Bloomberg Línea que atualmente avaliam os resultados, então “se uma pessoa quer trabalhar três dias e outra sete, mas os resultados atendem aos objetivos, não há problemas”.

“Cada pessoa decide, dependendo de sua produtividade e de quando vai cumprir suas metas”, acrescentou a empresa, que destaca que “os resultados mostram que a liberdade de criar a própria jornada tem sido fundamental para o sucesso da empresa”.

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Mas Noel González, chefe de Desenvolvimento e Comunicação Interna da empresa de recursos humanos Addeco, destaca que “adotar uma medida desse tipo requer tempo e análise dos processos e funções em diferentes áreas”.

“É possível que para alguns setores seja mais fácil, mas para empresas do setor de serviços seria mais complexo aderir a essa iniciativa. A medida mais comum nesses tempos é a flexibilização de horários e alternância entre o trabalho remoto e o presencial”, disse ele à Bloomberg Línea.

Tendências globais

Em meados do ano passado, o presidente colombiano Iván Duque sancionou a lei que reduzirá gradativamente a jornada de trabalho de 48 para 42 horas semanais, o que não implica “a redução de salário ou remuneração de benefícios, nem o valor da hora de trabalho, nem exonera a empresa de obrigações em favor dos trabalhadores”, segundo a norma.

Ele acrescenta que as horas poderão “ser distribuídas de comum acordo entre empregador e trabalhador em 5 ou 6 dias por semana, garantindo-se sempre o dia de descanso”, com algumas exceções.

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Assim, as jornadas semanais de quatro dias foram uma iniciativa de algumas empresas locais orientadas por tendências globais como no Reino Unido, onde mais de 30 empresas farão parte de um teste piloto para adotar este esquema.

De acordo com dados da organização 4 Day Week Campaign, coorganizadora do teste, 63% das empresas acham mais fácil atrair e reter talento com uma semana de trabalho de 4 dias, ao passo que 78% dos colaboradores com esse esquema são mais felizes e menos estressados.

Pandemia motiva prática de trabalho remotodfd

A 4 Day Week Campaign está promovendo campanhas em outros países europeus como a Irlanda e também em países fora do continente, chegando a Estados Unidos, Canadá, Austrália, entre outros.

Consultado pela Bloomberg Línea, o gerente da WeWork Colômbia Juan Carlos Peñaloza concorda que “a pandemia, de fato, teve uma influência significativa na mudança, pelas empresas colombianas, da forma como trabalhavam há muitos anos e no reconhecimento da importância do equilíbrio que deve existir na vida profissional e pessoal”.

Nesse sentido, comentou que “é claro que este tipo de iniciativa mostra que a flexibilidade no trabalho veio para ficar” e destaca que a organização tem ajudado várias de suas empresas a ajustar os seus modelos de negócio “a este novo horizonte em que a flexibilidade é uma mais-valia a oferecer aos seus colaboradores, favorecendo o seu bem-estar”.

‘O paradoxo do trabalho híbrido continuará’

A diretora da divisão de Pessoas e Cultura do ManpowerGroup Colômbia Carolina Díaz explicou à Bloomberg Línea que “num momento tão crucial em que se fala em 4 dias úteis, e no qual os empregadores enfrentam a maior escassez de talento humano, o tema torna-se relevante”.

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Isto considerando que “49% dos trabalhadores mudariam para uma organização para melhorar o seu bem-estar e 4 em cada 10 pessoas querem escolher os dias em que trabalham remotamente e podem mudar esses dias todas as semanas”, disse o executivo com base em estudo do ManpowerGroup.

Segundo Carolina Díaz, “o paradoxo híbrido continuará enquanto a flexibilidade que funciona para todos for praticada e aperfeiçoada. Os gerentes de RH enfrentarão o próximo grande desafio de reinventar o recrutamento, o on-boarding e o bem-estar de funcionários no novo ambiente de trabalho digital”.

--Este texto foi traduzido por Bianca Carlos, localization specialist da Bloomberg Línea.

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Daniel Salazar

Daniel Salazar Castellanos (BR)

Profissional de comunicação e jornalista com ênfase em economia e finanças. Participou do programa de jornalismo econômico da agência Efe, da Universidad Externado, do Banco Santander e da Universia. Ex-editor de negócios da Revista Dinero e da Mesa América da Efe.

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