ESG

Disney evita tomar partido sobre lei de orientação sexual na Flórida

Estado quer proibir discussões sobre orientação sexual nas escolas; empresa havia emitido sua posição em controvérsias anteriores

Atual CEO afirma que emitir declarações corporativas mais atrapalha que ajuda
Por Christopher Palmeri
07 de Março, 2022 | 09:21 pm
Tempo de leitura: 2 minutos

Bloomberg — O CEO da Walt Disney (DIS) Bob Chapek disse que a empresa não tomará uma posição formal sobre uma lei da Flórida que proíbe a discussão sobre orientação sexual nas escolas, sendo esta uma divergência de ações anteriores.

Chapek disse em uma carta que ele se reuniu na sexta-feira (4) com funcionárias lésbicas, gays e transgênero para discutir a legislação. A carta foi distribuída aos meios de comunicação na segunda-feira (7).

“Eu e toda a equipe de liderança apoiamos inequivocamente nossos funcionários LGBTQ+, suas famílias e suas comunidades”, disse Chapek. “Estamos comprometidos em criar uma empresa – e um mundo – com mais inclusão”.

Chapek sugeriu que a Disney não fará declarações políticas no futuro, porque essas posições podem ser prejudiciais ao objetivo geral que os defensores podem estar tentando alcançar. A Disney é um dos maiores empregadores da Flórida graças aos seus parques temáticos em Orlando.

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“Declarações corporativas fazem muito pouco para mudar resultados ou mentes”, escreveu Chapek. “Em vez disso, essas declarações acabam manipuladas por um lado ou outro para dividir e inflamar ainda mais a oposição”.

Chapek está há dois anos no cargo de líder da maior empresa de entretenimento do mundo, mas só recentemente saiu totalmente da sombra de seu antecessor, Bob Iger, que se aposentou como presidente em dezembro. A Disney tem uma nova equipe de liderança, incluindo um chefe de comunicações, Geoff Morrell, que reavaliará a estratégia de doação para políticos e defesa de pautas da empresa em todo o mundo, disse Chapek.

A Disney já tomou partido quanto a legislações controversas no passado. Em 2016, a empresa disse que poderia interromper a produção de filmes na Geórgia se o estado aprovasse um projeto de lei permitindo que organizações religiosas negassem atendimento a gays. Esse projeto foi vetado pelo governador em meio a uma onda de denúncias corporativas.

Lei do aborto

Três anos depois, Iger disse que seria difícil para a empresa conseguir que os cineastas trabalhassem na Geórgia se o estado aprovasse uma lei que restringisse o acesso ao aborto. Outros estúdios de Hollywood falaram sobre a lei, que foi rejeitada por um juiz federal.

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Na semana passada, a Disney se posicionou contra a Rússia após a invasão da Ucrânia. A empresa interrompeu os lançamentos de novos filmes na Rússia, um movimento que todos os outros grandes estúdios seguiram.

Chapek disse que os esforços da Disney para criar um mundo mais inclusivo serão mais bem servidos por meio de sua produção de filmes e TV, citando filmes recentes como “Encanto” e “Pantera Negra”, bem como séries de TV, como “Modern Family”.

“Estas e todas as nossas diversas histórias são nossas declarações corporativas – e elas são mais poderosas do que qualquer tweet ou lobby”, disse Chapek.

--Este texto foi traduzido por Bianca Carlos, localization specialist da Bloomberg Línea.

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