Bloomberg — A Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados concordaram com outro modesto acréscimo na oferta para abril, durante uma reunião discreta que foi ofuscada pela turbulência desencadeada pela invasão da Ucrânia.
Liderada pela Arábia Saudita, essa coalizão de 23 nações ratificou um aumento de 400.000 barris diários na oferta nesta quarta-feira, dando seguimento à restauração gradual da produção interrompida durante a pandemia, segundo um comunicado.
Muitos integrantes da Opep têm enfrentado dificuldades para cumprir o aumento prometido da oferta devido a problemas com a capacidade de produção. O modesto aumento mensal anunciado hoje foi insignificante para um mercado abalado pela agressão militar da Rússia e pela reação de países consumidores, incluindo a liberação de estoques emergenciais de combustível. A Rússia é o segundo maior membro da aliança Opep+.
Embora o Ocidente não tenha imposto sanções às exportações de energia da Rússia, comerciantes e operadores de navios relutantes em lidar com petróleo russo podem criar um embargo informal. O petróleo dos Urais da Rússia era oferecido com desconto recorde, mas não recebeu lances de compra.
Durante a reunião da Opep+ na quarta-feira, a ministra de Energia do México, Rocío Nahle, levantou uma questão sobre a produção de petróleo da Rússia, mas não houve uma discussão de fato sobre o assunto, de acordo com pessoas que pediram anonimato porque a reunião foi privativa.
Preocupações dos consumidores
Os EUA já pressionavam Riad a aumentar a produção mais rapidamente, mas os países consumidores agora estão tomando providências internas. A Agência Internacional de Energia, que representa as principais economias industrializadas, afirmou na terça-feira que vai acionar 60 milhões de barris em reservas emergenciais de petróleo em todo o mundo.
“A situação nos mercados de energia é muito grave e exige toda a nossa atenção”, declarou Fatih Birol, diretor-executivo da agência, em comunicado. “A segurança energética global está ameaçada, colocando a economia mundial em risco durante uma fase frágil da recuperação.”
O esforço para esfriar os preços não funcionou. O barril de petróleo do tipo Brent, que é referência internacional, chegou a subir 7,7% para US$ 113,09 na quarta-feira, a maior cotação desde 2013.
A intervenção da Agência Internacional de Energia sinaliza reconhecimento de que a Opep e seus aliados não conseguem elevar a produção de petróleo mais rapidamente, mesmo estando dispostos a isso. Em janeiro, a produção diária do grupo ficou 972 mil barris abaixo da meta, segundo um relatório do Comitê Técnico Conjunto da Opep, divulgado na terça-feira.
Membros da Opep como Iraque e Nigéria não atingiram suas cotas, por motivos que vão desde a falta de investimento até conflitos internos. Esse déficit de oferta é um dos principais fatores por trás da alta dos preços globais do petróleo, mesmo antes de o ataque da Rússia à Ucrânia fazer o barril passar dos três dígitos.
A Arábia Saudita e alguns aliados no Golfo Pérsico são os únicos países com substancial excedente na capacidade de produção. Assim, a pergunta é se a Opep+ concordaria em compensar uma escassez criada por sanções do Ocidente, tendo em vista a divisão entre Moscou e a comunidade internacional sobre a agressão militar à Ucrânia.
A Opep já lidou com muitos conflitos em seus 60 anos de história, incluindo guerras sangrentas entre seus próprios integrantes. O grupo se reunirá novamente em 31 de março.
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