Moderna faz parceria para distribuir vacina na América Latina

Fabricante da vacina anunciou acordo de distribuição com a Adium Pharma para comercializar em 18 países da região, incluindo Brasil

Foco agora é obter aprovação plena para suas vacinas na região e, até 2023, a Moderna deve começar a comercializar vacinas fora dos acordos bilaterais com governos
Por Andrea Navarro
23 de Fevereiro, 2022 | 11:37 am
Tempo de leitura: 2 minutos

Bloomberg — A Moderna assinou acordo com uma farmacêutica do Uruguai, em uma jogada para expandir seu alcance em toda a América Latina.

A fabricante da vacina contra a covid-19 anunciou na terça-feira (22) o acordo de distribuição com a Adium Pharma para comercializar o imunizante em 18 países da região, incluindo Brasil e México. As vacinas serão fornecidas pelas fábricas da Moderna nos Estados Unidos e na Europa, informou Roman Saglio, responsável por alianças comerciais na América Latina.

A companhia fez anúncios semelhantes na Europa e Ásia, na campanha para acelerar a entrega de vacinas de RNA mensageiro em todo o mundo. A Moderna também vai abrir um escritório em Hong Kong com cerca de 1.000 colaboradores, utilizando a cidade como porta de entrada para a China continental. A empresa assinou acordos de comercialização de vacinas em todo o mundo envolvendo US$ 18,5 bilhões este ano, além de opções para US$ 3,5 bilhões adicionais.

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“Nosso objetivo para 2022 é fortalecer a presença da Moderna nas áreas comercial e de distribuição”, disse Saglio em entrevista. “Atualmente não temos presença real no Brasil ou no México, mas estamos mirando nesses mercados.”

A Adium pretende ser o braço da Moderna na América Latina, afirmou o CEO Patricio Rodriguez na entrevista. “Queremos ser um canal da Moderna para que sua vacina chegue ao maior número de pessoas possível.” A Adium tem 5.700 colaboradores na região e pretende recrutar mais 100.

Maior presença

Os países da América Latina contam com vacinas produzidas por AstraZeneca, Sinopharm Group e Sinovac Biotech, mas nos últimos meses vêm ampliando o uso das vacinas de tecnologia mRNA produzidas pela Pfizer.

A Moderna já obteve autorizações de emergência em cinco países. Saglio acredita que a Moderna se tornará a principal fornecedora de vacinas na América Latina, mas isso exigiria um aumento significativo em relação ao quadro atual, dado que a companhia assinou acordos com governos para 51 milhões de doses em 2021.

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Segundo Saglio, a expectativa é que 15 países tenham acesso a imunizantes da Moderna este ano, seja por meio de acordos diretos com governos ou da iniciativa internacional Covax. A empresa anunciou recentemente acordos com a Colômbia e o Chile para fornecimento de milhões de doses.

O foco agora é obter aprovação plena para suas vacinas na região e, até 2023, a Moderna deve começar a comercializar vacinas fora dos acordos bilaterais com governos, “dependendo da evolução da pandemia”, explicou Saglio.

A parceria com a Adium vai além das vacinas contra covid, incluindo tratamentos da Moderna contra câncer e doenças autoimunes raras, entre outros.

Em janeiro, a agência que regula alimentos e medicamentos nos EUA, a FDA, deu aprovação total para a vacina da Moderna para pessoas com 18 anos ou mais. Este marco permitirá à Moderna oferecer a vacina a adultos usando a marca Spikevax. Além do produto da Moderna, a vacina da Pfizer é a única com autorização total nos EUA, concedida em agosto passado.

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