Bloomberg — Ajudar países africanos durante a transição para energia limpa deve ser uma prioridade das negociações climáticas da COP27 no Egito ainda este ano, segundo o presidente do país anfitrião.
O continente não deve perder os benefícios financeiros de suas reservas de petróleo e gás, e a cúpula de novembro em Sharm El-Sheikh precisa chegar a resoluções equilibradas, justas e objetivas para apoiar os países africanos, disse o presidente egípcio Abdel-Fattah El-Sisi. Ele acrescentou que o setor de energia ofereceu décadas de riqueza para países ricos.
“Os países africanos ainda são pobres”, disse El-Sisi em conferência sobre energia no Cairo na segunda-feira (14). “Agora que temos uma oportunidade, você diz ‘Não, não a explore’. Como assim, não a explore? Se quiser isso, então os ricos devem ajudar os pobres”.
Embora a questão da justiça tenha sido um ponto importante discutido na COP26 em Glasgow no ano passado, os comentários de El-Sisi indicam que a cúpula deste ano dará mais foco ao apoio a países em desenvolvimento. Os países mais pobres afirmam que os ricos destruíram o planeta enquanto se industrializaram, e agora é injusto que estejam frustrando o progresso econômico de outros e deixando de fornecer a ajuda financeira suficiente para ajudar os mais pobres a se ajustarem.
Países ricos estão muito atrasados na entrega da meta de financiamento de US$ 100 bilhões por ano – e esse valor é considerado apenas uma fração do que é necessário.
Embora a África seja o segundo continente mais populoso, é responsável por menos de 2% das emissões globais e ainda sente muito o impacto das mudanças climáticas, disse Fatih Birol, diretor executivo da Agência Internacional de Energia.
A “Prioridade nº 1″ da COP27 deve ser visar as instituições financeiras e encontrar um mecanismo para aproveitar e acelerar os investimentos na África para apoiar seu desenvolvimento econômico, disse Birol no evento em Cairo. “Temos que garantir que a África não carregue um fardo muito pesado na transição para energia limpa”.
--Com a colaboração de Souhail Karam e Abdel Latif Wahba.
--Este texto foi traduzido por Bianca Carlos, localization specialist da Bloomberg Línea.
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