Negócios

Unilever alerta que inflação pode reduzir rentabilidade por dois anos

A empresa espera um pico de inflação no primeiro semestre, quando os custos das matérias-primas devem aumentar em 2 bilhões de euros

A fabricante do sabonete Dove também descartou fazer grandes aquisições no futuro próximo
Por Thomas Buckley
10 de Fevereiro, 2022 | 11:40 am
Tempo de leitura: 2 minutos

Bloomberg — A Unilever (UL) alertou que levará dois anos para retornar ao nível de lucratividade de 2021, já que a pior inflação desde a crise financeira corrói os benefícios de um crescimento mais rápido.

A Unilever espera um pico de inflação no primeiro semestre, quando os custos das matérias-primas devem aumentar em 2 bilhões de euros (US$ 2,3 bilhões). A margem operacional diminuirá em até 2,4 pontos percentuais em 2022, segundo a Unilever, acrescentando que espera que a maior parte da margem volte em 2023 e uma recuperação total em 2024.

A fabricante do sabonete Dove também descartou fazer grandes aquisições no futuro próximo, depois que o CEO, Alan Jope, n’ao foi apoiado em sua tentativa de comprar a divisão de saúde ao consumidor da GlaxoSmithKline (GSK).

São os primeiros resultados da Unilever desde a notícia de sua tentativa frustrada de comprar a unidade da Glaxo, criticada por investidores, provocando uma venda de ações. A pressão sobre Jope tem aumentado depois que a Trian Fund Management LP, do investidor ativista bilionário Nelson Peltz, construiu uma participação na empresa. O CEO está sendo forçado a repassar custos mais altos aos consumidores, com os preços do quarto trimestre no nível mais alto em uma década.

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Os custos das commodities estão aumentando em mais de 20% no total em todo o setor de bens de consumo, disse o diretor financeiro, Graeme Pitkethly, em uma ligação com repórteres. As despesas da Unilever estão subindo um pouco menos, pois sua escala permite que a empresa negocie contratos mais favoráveis com fornecedores, embora esteja particularmente exposta a aumentos no preço do petróleo bruto, que recentemente subiu 60%, óleo de palma, que subiu 130% , e óleo de soja, que subiu 100%.

“Isso não acontece há mais de uma década, se é que aconteceu”, disse Pitkethly.

A empresa anunciou um programa de recompra de 3 bilhões de euros, pois relatou um ganho de 4,5% no crescimento de vendas subjacentes para 2021, a taxa mais rápida em nove anos e acima das estimativas dos analistas.

No mês passado, a Unilever disse que cortaria 1.500 empregos e reestruturaria suas divisões para acelerar o crescimento e melhorar a prestação de contas. A empresa está criando unidades independentes de sorvetes, beleza e cuidados pessoais, o que pode facilitar fusões e aquisições.

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Em julho, a Unilever abandonou uma previsão de melhora em sua margem de lucro, dizendo que estaria perto do nível de 2020. A empresa vem aumentando os preços ao máximo em quase uma década para compensar os custos mais altos da matéria-prima.

A ação está sendo negociada abaixo do nível da oferta fracassada da Kraft Heinz (KHC) pela Unilever em 2017. Após essa abordagem, a Unilever estabeleceu a meta de uma margem subjacente de 20% até 2020, que não atingiu.

A previsão da empresa é de uma margem de 16% a 17% em 2022.

– Esta notícia foi traduzida por Marcelle Castro, Localization Specialist da Bloomberg Línea.

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