África, o continente também gigante em criptomoedas

Mercado cripto africano cresce em ritmo acelerado com foco em inclusão social, colocando a região em destaque quanto à adoção desses ativos digitais

Desvalorização da moeda africana dá força às criptomoedas no comércio local do continente
Tempo de leitura: 2 minutos

Por Matheus Mans para Mercado Bitcoin

São Paulo – Entre julho de 2020 e junho de 2021, a África registrou crescimento em captação cripto de quase 1.200%, avanço recorde para o continente, que passou a figurar entre os mercados com os maiores índices de adoção de criptomoedas do mundo, segundo relatório da Chainalysis, empresa americana de pesquisa de blockchain.

Estima-se que, juntos, os 54 países africanos transacionaram em moedas digitais algo em torno de US$ 105,6 bilhões no período. Apesar da relevância do número, a África ainda é a menor criptoeconomia entre todas as regiões pesquisadas pela Chainalysis. O que a leva, então, a ter tamanho destaque na adoção das criptomoedas? A resposta está no uso desses ativos para ampliar a inclusão financeira. O continente, que detém a segunda maior população do mundo, é o mais pobre e com a maior desigualdade social.

“Na África, há um grande número de desbancarizados e também à margem da economia, porque a inflação elevada [de quase 6%] coloca a grande maioria na pobreza. Quando as criptomoedas, que não são controladas por nenhum órgão ou país, chegaram como saída para a população contornar o custo de vida elevado, se tornaram uma alternativa positiva”, diz Leandro Belloc Nunes, advogado e pesquisador do mercado cripto.

Sem legislação

A Nigéria, na África Ocidental, primeiro país africano a lançar sua moeda digital, a eNaira, em 2021, no campo das criptomoedas lidera quanto à sua adoção. O Quênia, na parte oriental do território, tem a segunda posição, seguido pela África do Sul.

Apesar de ficar atrás da Nigéria e do Quênia, a África do Sul planeja criar um marco regulatório, ainda em 2022, para as criptomoedas, elaborado pelo regulador do mercado financeiro em conjunto com agências de previdência e supervisão financeira. O objetivo é ter regras para o comércio de moedas virtuais e definir como elas podem interagir com os produtos financeiros tradicionais.

“A maior parte dos países africanos não tem legislação própria ou não se pronunciou sobre o assunto, caso de Angola”, diz o angolano Euclides Manuel, fundador da Bitcoin Angola. “Atualmente, a maioria das transações na África é feita de maneira P2P [abreviação para peer-to-peer, operação de empréstimo entre empresas e pessoas físicas, sem a participação de bancos]”, completa.

Em Angola, onde Manuel atua, o cenário é promissor. O projeto Bitcoin Angola visa mostrar à população local o potencial da criptomoeda e da tecnologia blockchain. “Hoje, somos a maior comunidade cripto do país, com mais de 17 mil membros”, conta o empresário.

Educação

Com essa ação, Manuel quer atacar um dos principais entraves à popularização das criptomoedas em território africano: a educação das pessoas quanto ao uso dos ativos digitais. Mas, para que obtenha sucesso nessa empreitada, ele ressalta que é preciso aumentar a conectividade da população, permitindo maior acesso à internet, hoje um dos problemas em todo o continente.

“A principal barreira para a adoção das criptos é a baixa inclusão digital”, diz Manuel. “É necessário celular ou computador com alcance à internet para fazer transações em criptomoedas. Hoje, muitos não têm sequer smartphones, principalmente no interior ou nas zonas mais afastadas da capital, e para os que têm nem sempre a internet chega. Portanto, para se conseguir uma adesão em massa a essas moedas digitais é urgente priorizar a inclusão digital”.

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