Internacional

Biden diz que Putin corre risco de sanções pessoais por atos na Ucrânia

Biden ameaçou penalidades econômicas se Putin ordenar que mais de 100 mil soldados cruzem a fronteira do país

"haverá sérias consequências econômicas se ele for adiante"
Por Josh Wingrove e Justin Sink
26 de Janeiro, 2022 | 03:24 pm
Tempo de leitura: 4 minutos

Bloomberg — O presidente Joe Biden disse que considera sancionar Vladimir Putin se ele ordenar uma invasão da Ucrânia, aumentando o esforço dos Estados Unidos para impedir o líder russo de entrar em guerra.

“Sim”, disse Biden na terça-feira (25) em Washington, em resposta à pergunta de um repórter sobre se ele poderia ver Putin enfrentando sanções dos EUA. “Eu veria isso.”

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Os EUA raramente aplicam sanções diretamente contra chefes de Estado. Mas Biden ameaçou algumas das penalidades econômicas mais severas que os EUA e seus aliados podem aplicar se Putin ordenar que mais de 100.000 soldados reunidos fora da Ucrânia cruzem a fronteira do país.

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O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse que as sanções pessoais contra Putin seriam “politicamente destrutivas” pelo sinal que enviaram, mas não teriam nenhum impacto econômico sobre o líder russo, que está proibido por lei de manter ativos estrangeiros. Peskov disse anteriormente que tais restrições seriam equivalentes a romper relações.

O Kremlin negou quaisquer planos de invasão, mas exigiu concessões da OTAN, incluindo uma garantia de que a aliança não adicionará a Ucrânia como membro e retirará forças militares dos ex-estados soviéticos.

Enquanto os aliados dos EUA e da OTAN conversam com a Rússia, o governo de Biden continua se preparando para uma possível invasão. Isso inclui a ameaça de sanções devastadoras à Rússia, o envio de armas, munições e outros equipamentos para a Ucrânia e a preparação para o envio de 8.500 soldados para os países da OTAN na Europa Oriental. Biden descartou a entrada de tropas dos EUA ou da OTAN na própria Ucrânia.

O escopo de possíveis sanções permanece incerto. Os membros da União Europeia não estão de acordo com os EUA quanto à amplitude das sanções sobre a economia russa. A Alemanha, por exemplo, pressionou por uma isenção para o setor de energia se houver um movimento para impedir os bancos russos de compensar transações em dólares americanos.

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O próprio Biden reconheceu que alguns aliados podem discordar sobre a retaliação se Putin recuar antes de uma invasão, mas ordenar outros atos hostis, como ataques cibernéticos ou grupos de milícias de apoio.

“Como eu disse, haverá sérias consequências econômicas se ele for adiante”, disse Biden a repórteres durante uma visita a uma butique em Washington. “Se ele invadisse o país com todas forças alocadas, seria a maior invasão desde a Segunda Guerra Mundial. Mudaria o mundo.”

O impacto de quaisquer sanções que possam ser impostas a Putin não é claro. Os ativos do líder russo são um mistério, talvez conhecidos parcialmente por algumas agências de inteligência ocidentais. Acredita-se que mais se saiba sobre os oligarcas russos e outras pessoas no círculo íntimo de Putin, e esses indivíduos podem ser considerados representantes de Putin.

Em uma série de documentos vazados, conhecidos como Pandora Papers, e divulgados pelo The Guardian no ano passado, os investigadores procuraram rastrear a riqueza de algumas pessoas que se acredita serem próximas a Putin. Mas atrelar ativos específicos ou contas bancárias no líder russo se mostrou uma árdua tarefa.

Oficialmente, Putin quase não possui ativos. Sua renda anual é de cerca de 10 milhões de rublos e ele possui três carros e um apartamento, de acordo com sua última divulgação financeira. Peskov disse que ele continua recebendo seu salário oficial no Banco Rossiya, que já está sujeito a sanções.

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O Kremlin alertou anteriormente que um movimento dos EUA para colocar cerca de 8.500 soldados em alerta para serem acionados rapidamente na Europa “exacerba as tensões” na região. Biden disse a repórteres que as tropas podem começar a se mover em breve.

“Posso mover algumas dessas tropas em breve, só porque leva tempo”, disse Biden, acrescentando que não é “provocativo” fazê-lo. “Pode-se notar que não se vê muita preocupação em termos de segurança, em relação a qualquer um de nossos aliados da OTAN na Europa Ocidental, mas na Europa Oriental, há motivos para preocupação.”

Ele disse que ainda não está claro se o risco de uma invasão está aumentando ou diminuindo.

“É um pouco como ler folhas de chá”, disse ele. “Normalmente, se fosse um líder diferente, o fato de ele continuar a enviar reforços ao longo da fronteira da Ucrânia, da Bielorrússia, nos faria pensar que ele parece que vai fazer alguma coisa.”

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“Mas então você olha para o comportamento dele no passado e o que todos estão dizendo em sua equipe, assim como todos os outros, sobre o que provavelmente acontecerá”, continuou Biden. “Tudo depende da decisão dele.”

Biden disse anteriormente que buscaria reforçar a frente oriental da OTAN no caso de uma invasão da Ucrânia. Ele acrescentou que “não temos intenção de alocar forças americanas ou forças da OTAN na Ucrânia”.

As tropas russas, disse ele, estão “ao longo da fronteira russa, fronteira com a Bielorrússia. Portanto, todos da Polônia em diante têm motivos para se preocupar com o que aconteceria e com os efeitos indiretos de tal atitude.”

– Com a colaboração de Jennifer Epstein, Yuliya Fedorinova e Ilya Arkhipov.

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– Esta notícia foi traduzida por Marcelle Castro, Localization Specialist da Bloomberg Línea.

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