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Argentina quer segurar inflação com criptomoedas

Economista da USP diz que adoção de moedas digitais tira pressão sobre o peso e o dólar e que, resolvidos os problemas operacionais, elas terão cada vez mais força

Criptomoedas poderão dividir espaço com dólar e peso na economia argentina
Tempo de leitura: 2 minutos

Por Matheus Mans para Mercado Bitcoin

São Paulo – A Argentina encerrou 2021 com uma inflação de 50,9%, segundo o Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec), órgão do Ministério da Economia local. Resultado muito superior aos 29% previstos pelo governo. Com uma economia em crise, cresce dentro do governo a ideia de usar as criptomoedas como instrumento de combate à escalada dos preços.

Hoje, o país tem um sistema bimonetário, com o peso e o dólar circulando simultaneamente como moedas legais. Mas com a forte desvalorização de sua moeda, o peso, frente à americana, o tema criptomoedas ganha atenção do presidente argentino, Alberto Fernández, e do Banco Central.

“Quando você tem mais moedas disponíveis no mercado, você tira a pressão do dólar e também do peso. É bom para a economia”, diz Roberto Troster, economista da Universidade de São Paulo (USP), sobre o efeito que as criptomoedas poderiam ter no mercado financeiro argentino.

Recentemente, em entrevista ao Caja Negra, programa semanal de rádio, Fernández afirmou que a vantagem das criptomoedas é que o efeito inflacionário seria anulado. E que o governo precisa ter um entendimento maior sobre como esses ativos digitais entrariam na economia local.

A avaliação de Fernández, no entanto, nem sempre encontra eco entre economistas. “Médio. Nem sim, nem não e muito pelo contrário”, diz Troster sobre o interesse do governo em adotar as criptomoedas.  “Aumenta o bem-estar e, no final, o governo só está preocupado em fechar a conta, seja com criptomoedas, dólar ou peso”, completa.

Regulação

No final de 2021, a Câmara Argentina de Fintechs divulgou proposta para regular o mercado de ativos virtuais no país. O plano é o de que os ativos virtuais e os Provedores de Serviços de Ativos Virtuais sejam regulados de acordo com práticas do Grupo de Acción Financiera Internacional (GAFI).

A movimentação da Câmara também é simultânea às falas de Miguel Ángel Pesce, presidente do Banco Central argentino, que demonstrou preocupação com a forma com que as moedas digitais avançam no país, sem regulação ou nenhum controle.

Troster diz que a regulação deve acontecer, mas respeitando os princípios das moedas. “Não existe nenhum princípio econômico que diz que o Banco Central tem de regular a moeda. Eles se mostram preocupados porque estão perdendo uma boquinha. Não vejo motivo para regular. Quantas garrafas de vinho na minha casa eu posso ter? Por que limitar quantas garrafas eu tenho? O Banco Central deve manter o bem-estar e supervisionar”, diz.

Para ele, o futuro é positivo para o uso das criptomoedas na economia argentina. “O problema das criptomoedas, hoje, é  operacional. Quando ele for resolvido será uma nova moeda e não tem mais como reverter isso”, afirma o economista. “Terá cada vez mais força. E no final ganham os governos e as pessoas”.

Desde meados de 2021, as moedas digitais já são usadas cotidianamente pela população da cidade argentina de San Martín de los Andes, no noroeste da Patagônia. Ali, mais da metade dos moradores já se familiarizaram com as criptos e quase 50% dos estabelecimentos aceitam o Bitcoin nos pagamentos.

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