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Banco Central britânico pode ir além dos aumentos de juros

Visão de analistas é que o Banco da Inglaterra está cada vez menos previsível

Mercado vê Banco da Inglaterra cada vez menos previsível
Por David Goodman (London) e Libby Cherry
18 de Janeiro, 2022 | 10:42 am
Tempo de leitura: 2 minutos

Bloomberg — No Reino Unido, o banco central está cada vez menos previsível e há mais em jogo do que uma alta na taxa básica de juros no mês que vem.

Uma eventual subida dos juros para 0,5% marcaria a primeira elevação em duas reuniões consecutivas desde 2004. A decisão também abriria caminho para o Banco da Inglaterra começar a reduzir o balanço patrimonial recorde, interrompendo o reinvestimento de títulos vencidos — afetando 28 bilhões de libras esterlinas (US$ 38 bilhões) em títulos públicos com vencimento em março.

Enquanto os acréscimos de juros vêm em incrementos conhecidos, o chamado aperto quantitativo ocorre em território inexplorado.

Por mais de uma década, a carteira de títulos só se moveu em uma direção e não existe um manual para o que virá no futuro, quando o banco central deixar de ser o maior comprador do mercado.

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O quadro traz implicações específicas para o governo, criando o risco de um rápido aumento nos custos de captação que atrapalharia os planos do secretário de Finanças, Rishi Sunak, para colocar as contas públicas em ordem.

O rendimento dos títulos públicos com prazo de 10 anos subiu mais de 0,40 ponto percentual desde que o banco central aumentou o juro básico em dezembro e ameaça romper o nível de resistência de 1,20%.

“É muito mais do que apenas uma elevação, é uma paulada dupla”, disse David Parkinson, gestor de produto da RBC Capital Markets. “Isso realmente intensifica a importância da reunião de fevereiro.”

Inflação recorde

Com a inflação do Reino Unido caminhando para 6%, a maior em 30 anos, os mercados precificam 90% de chance de subida dos juros em 3 de fevereiro. No entanto, o Banco da Inglaterra já surpreendeu os investidores antes, inclusive no final do ano passado.

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A interrupção dos reinvestimentos não é automática quando os juros atingem 0,5%, mas a orientação do BC britânico colocará a questão em evidência no encontro de fevereiro.

Bancos centrais ao redor do mundo estudam como conduzir o aperto quantitativo. O Federal Reserve dos EUA pode começar a desmontar seu balanço patrimonial já este ano.

Desde o início da pandemia, as compras de títulos pelo BC britânico absorveram as captações sem precedentes de Sunak para bancar os gastos públicos em um momento de crise, limitando os rendimentos dos títulos.

O fim dos reinvestimentos deixaria o mercado de renda fixa com uma enxurrada de novas emissões de títulos públicos sem a retaguarda de um comprador sempre disposto a adquirir mais papéis.

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