Hackers buscam explorar ‘vulnerabilidade’ do Apache antes de ajuste

Vulnerabilidade é tão grave que agências de Suíça, EUA e Austrália pediram que empresas instalem “patches” de segurança rapidamente

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Bloomberg — Hackers começaram a explorar uma falha crítica em um software usado por empresas e governos no mundo todo, dizem empresas de segurança, que buscam agilizar medidas para impedi-los.

A falha está em uma ferramenta de programação amplamente usada, o software Apache Log4j, mantido pela organização sem fins lucrativos Apache Software Foundation. A vulnerabilidade é considerada tão séria que agências de governos que incluem Suíça, Estados Unidos e Austrália pediram que empresas instalem “patches” de segurança rapidamente.

A falha pode dar aos hackers a capacidade de controlar totalmente um sistema de computador, e resolver as falhas é um processo trabalhoso, porque o código de computador com defeito é embutido em uma espécie de biblioteca de software.

No fim da semana passada, “todos acordaram com uma enorme vulnerabilidade em sua infraestrutura central, ainda não há uma maneira fácil de consertar, então todos tentam descobrir como criar várias camadas de proteção” contra uma falha que todos os hackers do mundo estão de olho, disse Robert Potter, codiretor-presidente da Internet 2.0, empresa de segurança cibernética com sede em Canberra, Austrália.

“Quase todo mundo - no governo ou no setor privado, agências de inteligência - usa e agora existe (uma ameaça de) dia zero e isso pegou todos de surpresa”, disse. Os hackers podem usar a falha para instalar malware, “o que é muito fácil de fazer e muito difícil de detectar”.

A Apache Software Foundation disse que a falha foi descoberta recentemente pela equipe de segurança em nuvem do Alibaba Group. Um ataque de dia zero refere-se a vulnerabilidades em software ou hardware que são exploradas antes que o desenvolvedor tenha a oportunidade de encontrar uma solução para o problema.

Tanto Microsoft quanto Cisco Systems publicaram rapidamente alertas sobre a falha e desenvolvedores de software lançaram uma correção no final da semana passada. A Agência de Segurança Cibernética e de Infraestrutura dos EUA disse no sábado que ainda não identificou comprometimento dos sistemas federais. A agência cibernética australiana disse estar ciente de “tentativas de localizar servidores vulneráveis”.

Uma varredura na segunda-feira usando o mecanismo de busca Shodan, que rastreia malware e atividades maliciosas, mostrou servidores de governos e do setor privado que ainda estavam vulneráveis a ataques, entre eles o da Amazon Web Services na Coreia do Sul, serviços em nuvem da Oracle na Índia, servidores na Coreia do Norte e servidores de computação em nuvem na China.

Pesquisadores dizem que o resultado da vulnerabilidade tem semelhanças com as chamadas violações do grupo Hafnium reveladas pela Microsoft em março deste ano. Na época, como agora, os clientes eram instados a ajustar servidores e proteger os sistemas contra quatro dias zero distintos que hackers poderiam aproveitar para obter acesso não verificado aos sistemas.

Sean Gallagher, pesquisador da empresa de segurança Sophos, disse por e-mail que “a velocidade com que os invasores estão controlando e usando a vulnerabilidade só vai se intensificar e se diversificar nos próximos dias e semanas. Uma vez que um invasor tenha garantido o acesso a uma rede, qualquer infecção pode surgir”.

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