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Viagens

Fim de semana: quanto custa voar de balão no interior de São Paulo?

Em Boituva, capital brasileira do balonismo, passeios se multiplicam desde julho; adeptos do turismo de aventura pagam de R$ 400 a R$ 1.800

Tempo de leitura: 5 minutos

Boituva — A 117 km de São Paulo, Boituva é a capital brasileira do balonismo. Com cerca de 63 mil habitantes, a pequena cidade retomou, neste segundo semestre, as atividades do turismo de aventura. Os céus do “ninho de cobras” (significado do nome em tupi) voltaram a ficar coloridos, após o hiato imposto pela pandemia da Covid-19. Os finais de semana, dependendo das condições meteorológicas, atraem principalmente casais e famílias dispostas a experimentar a adrenalina de sobrevoar os campos verdes no município e arredores da região metropolitana de Sorocoba, a mais populosa do sudeste do Estado e a quarta mais populosa do interior paulista (atrás de Campinas, São José dos Campos e Ribeirão Preto).

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Há cerca de 15 empresas explorando o balonismo em Boituva, constatou Bloomberg Línea em visita ao município no último dia 5 de dezembro. Em geral, os preços variam de R$ 400 (por pessoa, dividindo espaço do cesto com até outras 10 pessoas, além do piloto) a R$ 1.800 (voo exclusivo do casal), incluindo, em alguns casos, outros serviços, como café da manhã após o passeio. Não há ainda uma associação formal reunindo esses empreendedores. A Secretaria de Turismo de Boituva não respondeu ao contato da reportagem. Pela internet, é fácil encontrar os sites das empresas que atuam em Boituva e pesquisar preços promocionais. Na cidade, há ainda saltos de paraquedismo.

No final de julho, os passeios de balão de ar quente começaram a ser retomados na região. Os protocolos sanitários representaram um desafio a esse segmento do turismo de aventura. Em um cesto de balão, não há como manter o distanciamento social. O uso de máscara de proteção é obrigatório.

Como fazer o passeio de balão

É preciso madrugar para conseguir fazer o passeio. Antes do nascer do sol, os grupos de turistas se encontram em uma fazenda nos arredores da sede do município, onde as empresas começam a deslocar os cestos até o local da decolagem.

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Só na noite da véspera, entre 18h e 20h, os clientes recebem a confirmação do voo no dia seguinte. Isso ocorre devido à avaliação das condições do tempo, como os riscos de tempestades com ventania. É preciso ter paciência. Nem todo fim de semana o balonismo é praticado. Depende das condições climáticas favoráveis para um voo seguro. Como está a menos de 2 horas da capital, de carro ou ônibus (viação Vale do Tietê, R$ 42, Terminal da Barra Funda), o deslocamento é rápido pela rodovia Presidente Castelo Branco (SP-280, também denominada BR-374), mas há relatos de turistas que vieram de outros estados, sem ter ainda a confirmação do voo, que se frustraram com o adiamento do passeio.

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A ansiedade dos praticantes de primeira viagem do balonismo cresce à medida em que os balões começam a ser inflados, um procedimento que dura, em média, cerca de 15 minutos. O dia já amanheceu quando os primeiros cestos se elevam do chão e dão início ao espetáculo colorido no céu. O passeio dura, em média, quase 1 hora. A área rural de Boituva e os municípios vizinhos de Tatuí e Iperó também são avistados.

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Campos da agricultura ou pasto para o gado, além de colinas e pequenos reservatórios hídricos, são sobrevoados. Diferente de um salto de paraquedas, em queda livre, em que a localização rápida de pontos do território abaixo é mais difícil, no voo de balão a contemplação é mais sossegada, introspectiva, já que o turista se acostuma logo com a estabilidade do cesto, com a sensação de segurança e do controle das manobras pelo piloto. Casais aproveitam o momento de lazer para fotografias da paisagem e selfies. Há alças dentro do cesto que servem de ponto de apoio.

É seguro viajar de balão?

O pouso do balão é o momento mais tenso, que exige perícia dos pilotos, a fim de evitar que o cesto de vime trançado vire com o impacto brusco no solo. Equipes de terra, munidos de rádio, aguardam com veículos nos pontos de aterrissagem para resgatar os passageiros. Além do amanhecer, os passeios são feitos no final do dia, antes do pôr-do-sol, quando os ventos são mais calmos, pois o sol não está tão alto. Balonistas evitam voar à noite devido a pouca visibilidade.

Outra dúvida dos turistas é sobre o risco de colisão com pássaros durante o voo. Em suas instruções aos passageiros, as empresas minimizam esse perigo, esclarecendo que o tecido do envelope (nylon rip stop) é mais resistente do que se imagina e que, mesmo um buraco grande o suficiente para um homem atravessá-lo, é possível voar, desde que o problema não tenha sido no topo do balão.

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Fumantes também costumam questionar as empresas de balonismo, que recomendam evitar o fumo durante o voo devido à possibilidade de o propano pegar fogo ou até mesmo explodir devido a um vazamento. O gás é armazenado em tanques de alumínio ou aço. Dependendo do tamanho do balão se carregam de 80 a 120 kg de gás.

Em Boituva, estima-se que no Brasil existam cerca de 790 pilotos e 100 balões aptos a voar. Já nos EUA seriam mais de 3.500 balões e mais de 4.000 pilotos habilitados. O certificado de piloto de balão é emitido pelo DAC (Departamento de Aviação Civil), ligado ao Ministério da Aeronáutica, com exigência de pelo menos 18 horas de aulas práticas e teóricas com instrutores e de idade maior de 18 anos.

O balão de ar quente é considerado o mais antigo veículo aéreo da história da humanidade, com os primeiros registros de seu uso na China e na cultura asteca. No século 18, surgiram experimentos na Europa, com os pioneiros irmãos Montgolfier na França, a quem se atribuiu a invenção do primeiro balão tripulado do Ocidente.

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A simplicidade de sua dinâmica encanta: balões apenas flutuam no vento. O sentido da experiência de voar ao ar livre, em contato direto com as alturas, vai além do sensorial. O piloto controla a altitude do balão a fim de encontrar um vento que corre na direção certa. Controlar totalmente o vento é impossível, o que desperta para a ideia da impotência, dos limites do ser humano. Descobrir a direção em que o vento sopra é uma metáfora que ilustra a atividade racional de quem busca se antecipar às realidades futuras, planejando o caminho e o destino de seus esforços.

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Sérgio Ripardo

Sérgio Ripardo

Jornalista brasileiro com mais de 25 anos de experiência, com passagem por sites de alcance nacional como Folha e R7, cobrindo indicadores econômicos, mercado financeiro e companhias abertas.

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