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Brasil

No Brasil, inflação pode começar a cair após atingir maior patamar em 18 anos

Os preços aumentaram 10,74% em relação ao ano anterior, a maior alta desde 2003, mas abaixo da previsão mediana de 10,9%

Inflação da sinais de redução
Por Andrew Rosati
10 de Dezembro, 2021 | 01:04 pm
Tempo de leitura: 2 minutos

Bloomberg — Os preços ao consumidor no Brasil subiram menos do que o esperado em novembro, num sinal de que a inflação agora pode começar a esfriar depois de atingir o ritmo mais rápido em 18 anos.

Os preços subiram 10,74% em relação ao ano anterior, a maior alta desde 2003, mas abaixo da previsão mediana de 10,9% em uma pesquisa da Bloomberg. No mês, eles subiram 0,95%, também menos do que um salto estimado de 1,09%, informou o IBGE nesta sexta-feira.

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“Isso confirma que a inflação em 12 meses atingiu o pico em novembro”, disse Mirella Hirakawa, economista da AZ Quest Investimentos em São Paulo. “Essa surpresa não muda a mensagem: a inflação continua pressionada por choques e forte demanda em meio à reabertura econômica.”

As taxas de swap de mais longo prazo despencaram com os investidores apostando que o banco central será capaz de cortar as taxas de juros mais rapidamente depois que o atual ciclo de aperto monetário terminar. A taxa do contrato com vencimento em janeiro de 2023, que indica as expectativas para a Selic no final de 2022, caiu 26 pontos base, para 11,37%. O contrato foi o mais negociado em São Paulo.

O banco central do Brasil está avançando com o ciclo de aperto monetário mais agressivo do mundo, que implicou no aumento de custos dos empréstimos em 725 pontos-base este ano. A combinação de preços em alta e Selic mais elevada está minando o poder de compra dos consumidores e arrastando a economia para a recessão.

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O que os economistas da Bloomberg dizem

“A inflação abaixo do esperado em novembro é uma surpresa bem-vinda, assim como a desaceleração nos preços do setor de serviços. Mas não se engane: o cenário para a inflação brasileira continua bastante desafiador. O banco central condicionou uma mudança em sua estratégia super-hawkish aos sinais de ‘desinflação consolidada’, e será necessário mais do que as notícias positivas nas leituras de hoje para justificar isso. "

- Adriana Dupita, economista da América Latina

As autoridades elevaram os custos dos empréstimos para 9,25% na quarta-feira, e sinalizaram que um terceiro aumento direto de 150 pontos-base deve ocorrer em fevereiro. Em comunicado, eles escreveram que persistirão na política até que consigam ancoras os preços ao consumidor na meta.

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O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, indicou no início deste ano que a inflação deveria atingir o pico em setembro. Mas fatores globais como choques de oferta e combustível mais caro, bem como gastos do governo doméstico, continuaram pressionando os preços.

O dado desta sexta-feira foi interpretado por vários economistas como a primeira indicação de que a alta dos preços ao consumidor pode finalmente estar esfriando. As vendas da Black Friday, com os varejistas oferecendo descontos de eletrônicos a itens de higiene pessoal, também ajudaram.

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Os dados são “um sinal de que a inflação está se estabilizando um pouco mais cedo do que a maioria dos analistas esperava, e apóia nossa visão de que o ciclo de aperto não terá muito tempo pela frente”, escreveu William Jackson, economista da Capital Economics, em nota de pesquisa Sexta-feira.

Sete dos nove grupos de bens e serviços monitorados pelo IBGE aumentaram de preço em novembro. Os custos de transporte, que aumentaram 3,35%, e as moradias, que ficaram 1,03% mais caras, foram as que mais contribuíram para o aumento mensal, enquanto o preço dos itens pessoais caiu 0,57%.

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O banco central do Brasil tem como meta a inflação anual em 3,75% este ano e 3,5% em 2022.

--Com assistência de Rafael Mendes e Maria Eloisa Capurro.

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