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China vê excesso de oferta e menor procura de minério de ferro

Suporte vem da aposta de que o governo não vai permitir deterioração do setor imobiliário e da produção de aço

China vê excesso de oferta e menor procura por minério de ferro
Por Bloomberg News
10 de Dezembro, 2021 | 12:11 pm
Tempo de leitura: 2 minutos

Bloomberg — Apesar de alguns sinais contrários, o mercado de minério de ferro da China parece espremido por excesso de oferta e demanda fraca.

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Os contratos futuros em Singapura caíram 50% em relação ao pico atingido em maio, mas se mantêm ao redor de US$ 110 por tonelada e caminham para uma quarta semana seguida de valorização. O suporte vem da aposta de que o governo chinês não vai permitir deterioração adicional do setor imobiliário e da produção de aço.

No entanto, a disponibilidade de minério continua aumentando. A Mysteel relatou ampliação adicional dos estoques nos portos chineses, que têm subido desde outubro e agora estão nos maiores níveis em três anos após importações bem acima do previsto em novembro. Os embarques da Austrália, principal fornecedora do mercado chinês, também se aceleraram, de acordo com os últimos dados semanais.

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As condições de demanda parecem apontar para baixo não só no curto prazo. A sondagem do setor siderúrgico da China está de volta ao patamar observado no início da pandemia em 2020. Os corriqueiros controles de poluição durante os meses mais frios ficarão mais rigorosos para garantir céu azul nos Jogos Olímpicos de Inverno em Pequim em fevereiro. Além disso, uma campanha nacional está em curso para reduzir as emissões geradas na produção de aço, o que pode limitar o consumo de minério de ferro.

Por outro lado, as políticas públicas passaram a oferecer maior acomodação recentemente. As instituições financeiras foram autorizadas a ampliar a concessão de empréstimos e o crescimento do crédito se acelerou pela primeira vez desde fevereiro.

Provavelmente haverá aumento dos gastos com infraestrutura. E uma conferência anual de estudos do governo deve concluir que apoiar a economia agora é mais importante do que restringir o mercado imobiliário.

Mas após pagar tão caro para conter o setor imobiliário, dificilmente as autoridades permitirão uma reversão no quadro. Os esforços do governo parecem mais focados em administrar uma desaceleração econômica, em um momento em que o presidente Xi Jinping redefine expectativas para a economia e a China abre mão do crescimento desenfreado.

A Capital Economics entende que “a lentidão da construção civil na China veio para ficar”, segundo relatório do analista Luke Nickels. A firma de pesquisas projeta queda na cotação do minério de ferro para cerca de US$ 70 por tonelada até o final do ano que vem.

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Já a Fitch Solutions espera estabilidade dos investimentos em infraestrutura em 2022, embora veja “maior relutância de Pequim em permitir aumento nos gastos dos governos locais em meio à diminuição das necessidades de infraestrutura.”

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