Por Matheus Mans para Mercado Bitcoin
São Paulo - Seguindo os passos de Miami, a cidade de Nova York se movimenta em direção ao mercado de criptomoedas. Em novembro, o prefeito eleito Eric Adams, que substituirá, em janeiro, Bill de Blasio, deixou clara sua intenção de ter moedas digitais na economia local.
“Em Nova York, sempre somos grandes”, disse Adams em sua conta oficial no Twitter, recentemente. “Então vou receber meus três primeiros salários em Bitcoin quando tomar posse na prefeitura. Nova York será o centro da indústria de criptomoedas”, diz o político assumidamente pró-criptos.
Mas a adoção do Bitcoin não é o único plano do novo prefeito. A exemplo do que fez seu par em Miami, Francis Suarez, o objetivo de Adams é também criar uma moeda digital própria, batizada de NYCCoin.
Com a NYCCoin, o propósito é o de que os moradores invistam na cidade mediante a compra de tokens, promovendo o desenvolvimento tecnológico. Mais: incentivar a mineração da nova moeda em Nova York. A ideia de uma moeda digital própria é bem vista pela CityCoin, projeto americano de criptomoedas também lançado por Adams.
“A cidade tem uma força de trabalho capaz de atrair talentos de todos os cantos do mundo. Essa diversidade de mão de obra, aliada a uma abundância de capital de risco para construtoras, forma a base para o sucesso futuro da cidade de Nova York”, disse a empresa, em comunicado.
Benefícios
A criação de uma criptomoeda nova-iorquina deve ter impacto positivo no mercado financeiro como um todo. “Nova York é uma cidade de grande exposição global, além de um centro turístico e financeiro reconhecido. A adoção da moeda digital deve trazer benefícios ao segmento cripto não apenas pelo reconhecimento do setor, mas atraindo mais investidores”, diz Bruno Milanello, executivo de novos negócios do Mercado Bitcoin, maior plataforma de criptomoedas da América Latina.
Apesar do entusiasmo de Adams, a preocupação com o meio ambiente demonstrada de forma recorrente pelos moradores é um dos problemas a serem resolvidos a partir da adoção das criptomoedas. Hoje, está em discussão como tornar a mineração mais sustentável, com menor consumo de energia, o que demanda novas alternativas de produção energética.
“Os Estados Unidos podem se beneficiar da energia geotérmica e nuclear, menos poluidoras. Se houver um planejamento nas discussões acerca da mineração das moedas digitais, isso pode ser feito sem prejuízo”, explica o professor de engenharia da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Anderson Jucá, especializado em política energética e mercados pelo Baker Institute for Public Policy da Rice University.
A despeito dos ajustes necessários decorrentes da inclusão das criptomoedas na economia de Nova York, sua adoção em larga escala tem se mostrado inevitável, na opinião de Milanello. “Algumas questões como a experiência do usuário e a educação financeira são variáveis fundamentais para que os criptoativos sejam, de fato, utilizados no cotidiano das pessoas”, diz o executivo.