Violência doméstica custa bilhões de dólares às economias

OMS estima que uma em cada três mulheres sofre alguma forma de abuso por um parceiro íntimo ou não parceiro

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Bloomberg — A violência doméstica é um flagelo com impactos significativos às economias, juntamente com terríveis consequências para as vítimas.

Os efeitos indiretos do abuso se refletem no local de trabalho, pois mulheres afetadas enfrentam dificuldade para se concentrarem em suas carreiras. Muitas veem a produtividade diminuir. Algumas são obrigadas a faltar ao trabalho e, às vezes, também são agredidas no ambiente profissional.

A Organização Mundial da Saúde estima que uma em cada três mulheres sofre alguma forma de abuso físico ou sexual por um parceiro íntimo ou não parceiro, com um impacto considerável na economia. O Instituto Europeu para a Igualdade de Gênero avalia que a violência doméstica custa à economia da União Europeia 366 bilhões de euros (US$ 413 bilhões) por ano.

Um caso em questão é o de Tanja, cujo nome foi alterado para sua proteção. Embora para ela o custo psicológico e físico da violência doméstica não possa ser medido, o fardo financeiro que isso representa é muito aparente.

Mais de duas décadas atrás, ela escapou de um parceiro violento que a agrediu por dois anos. Mesmo agora, Tanja, 52, que nasceu na Alemanha, não consegue suportar a ideia de estar sujeita ao controle de outra pessoa.

Esse sentimento a manteve fora do tipo de trabalho a que estava acostumada, quando trabalhava como assistente da área de saúde e em uma empresa de gestão de eventos. Ela agora é designer autônoma, com renda mais baixa, e muitas vezes conta com benefícios do governo para aumentar o salário.

“Depois da minha experiência com a violência doméstica, queria tomar decisões por mim mesma”, disse em entrevista. “Não queria ser empregada e deixar alguém ter poder sobre mim.”

Jane Pillinger, especialista independente em gênero que trabalhou com as Nações Unidas e na Organização Internacional do Trabalho em políticas de violência doméstica, está muito ciente de como esse tipo de abuso pode limitar as chances de as mulheres conseguirem empregos com maiores salários.

“Esse é um problema realmente grande em um momento em que colocamos muita ênfase em colocar as mulheres em empregos e cargos mais altos e diminuir a disparidade salarial de gênero”, disse.

Empresas começaram a acordar para o problema: a Vodafone foi a primeira em 2019 a oferecer às vítimas 10 dias de licença remunerada; o Facebook seguiu o exemplo com 20 dias a partir deste ano.

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