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Brasil

Brasília em Off: A tentativa de Guedes de minimizar estragos

O ministro disse a Bolsonaro que não há espaço fiscal para um reajuste generalizado do funcionalismo em 2022

Ministro tenta conter vontade do presidente de reajustar salários dos servidores
Por Martha Beck
26 de Novembro, 2021 | 02:06 pm
Tempo de leitura: 2 minutos

Bloomberg — O ministro da Economia, Paulo Guedes, já disse a Jair Bolsonaro que não há espaço fiscal para um reajuste generalizado do funcionalismo público em 2022. Argumentou que cada ponto percentual de alta nos salários tem impacto de R$ 3 bilhões nas contas públicas. Também lembrou que esse tipo de pressão tem repercussão negativa no mercado e faz o dólar e a inflação subirem ainda mais. Mas a equipe sabe que o presidente não vai recuar e que será preciso encontrar uma solução para acomodar ao menos para as suas bases mais próximas, como policiais.

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Erro

Integrantes da equipe econômica avaliam que Bolsonaro e seu entorno estão cometendo um erro ao priorizarem a manutenção da turbulência em busca da reeleição e fazerem corpo mole na articulação política. A falta de uma interlocução que deveria estar sendo feita pelos ministros Ciro Nogueira, da Casa Civil, e Flavia Arruda, da Secretaria de Governo, contribuiu para estender a tramitação da PEC dos Precatórios, o que gerou estresse extra no mercado, e enterrar reformas importantes como a administrativa e do Imposto de Renda.

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O ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas: filiação ao PLdfd

Interlocutores do PL já apontam a ironia da filiação do ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, ao partido. Quando assumiu a pasta, Tarcísio demitiu nomes do PL em diversas áreas que eram reduto da sigla, incluindo a Valec, empresa estatal de construção e operação de ferrovias, e o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). Agora, para seguir com sua trajetória política - é o nome que Bolsonaro quer para a disputa do governo de São Paulo - o ministro vai ter que abrir os braços ao PL.

Mesmo assim é pouco provável que o presidente do partido, Valdemar Costa Neto, dê apoio aberto à candidatura de alguém que tratou a sigla com tanto desdém.

Xadrez

A ida para o PL está fazendo Bolsonaro e aliados se debruçarem sobre o xadrez eleitoral de 2022. Tarcísio, por exemplo, preferia concorrer ao Senado por Goiás, mas deve ir para a disputa em São Paulo a pedido do presidente. No desenho atual, e apesar dos pedidos para que concorra a vice governador de SP, o ex-ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles prefere ir a deputado federal. O Planalto quer ainda que o ministro da Secretaria Geral da Presidência, Luiz Eduardo Ramos, concorra ao Senado. Primeiro para montar a chapa e depois para que o presidente finalmente consiga se livrar de Ramos, que já não agrada ao Planalto há tempos.

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