Blockchain pode ser o futuro das redes sociais

Rede descentralizada daria ao usuário maior controle sobre o conteúdo que publica

Blockchain pode ser o futuro das redes sociais
Tempo de leitura: 3 minutos

Por Gino Matos para Mercado Bitcoin

São Paulo — Sam Bankman-Fried, CEO da exchange FTX, afirmou, durante o evento Breakpoint, que o desenvolvimento de redes sociais em blockchain é algo “absolutamente enorme”. O evento, realizado pela Fundação Solana entre os dias 7 e 10 de novembro, em Lisboa, reuniu desenvolvedores, empresários e representantes da indústria de criptomoedas para discutir os avanços desse mercado.

SBF, como Bankman-Fried também é conhecido, disse ainda que a integração de aplicações das finanças descentralizadas (DeFi, na sigla em inglês) em redes sociais pode impulsionar o uso desses instrumentos financeiros alternativos.

Para Fabio Freitas, uma das vantagens de uma rede social baseada em outra, descentralizada, é permitir ao usuário ter maior controle sobre seu conteúdo. Por meio da criptografia inerente à blockchain se tornaria mais fácil selecionar quem pode acessar um material publicado. Freitas é CTO da Transfero Swiss AG, empresa focada em desenvolvimentos voltados à tecnologia blockchain e que explora o uso da plataforma Solana.

Ele destaca também a força da tokenização, por meio da qual seria possível estabelecer uma comunicação com os usuários a partir de suas publicações. “Unir conteúdo e recompensas em uma mesma camada é um poderoso instrumento para a construção de formas de engajamento”. No caso de um vídeo viral, por exemplo, um usuário receberia tokens e estes poderiam ser convertidos em dinheiro, incentivando com isso a utilização da rede social.

A resistência à censura é outra vantagem apontada por Freitas, uma vez que a descentralização da rede evitaria que publicações fossem controladas por uma única empresa, como acontece atualmente com Twitter, Facebook, YouTube e plataformas semelhantes.

O futuro das relações online

Para o CTO da Transfero, as redes sociais seguirão o mesmo caminho de monetização que os jogos baseados em tokens não fungíveis (NFT, na sigla em inglês) estão desbravando: o modelo de “ganhe para jogar”, onde o participante recebe tokens que podem ser substituídos por dinheiro em troca da sua atuação no jogo.

“Um palestrante do evento Breakpoint disse que sua filha vai indagar daqui a dez anos como ele jogava videogame sem ganhar por isso. A fase atual que vivemos, de jogar por jogar, e que dura quase 35 anos, não fará nenhum sentido em pouco tempo. O mesmo vale para as redes sociais, que terão suas próprias políticas de incentivo e economias paralelas.”

Capacidade e desafios

A tecnologia blockchain requer escalabilidade, isto é, capacidade que a rede tem para processar transações. Comentários, publicações e demais interações em uma rede social baseada nessa tecnologia são tidas como ‘transações’, sendo necessário processar o máximo possível delas por segundo.

A título de comparação, dados de janeiro deste ano mostram que são publicadas 1.074 fotos por segundo no Instagram. Freitas avalia que a Solana, capaz de processar até 50 mil transações por segundo, é uma das plataformas mais bem preparadas atualmente para dar vida a uma rede social descentralizada. Mas ressalta que o processo ainda tem suas dificuldades.

“Expandir o ecossistema, encontrar soluções que possam ser combinadas, criar uma comunidade forte e atuante de desenvolvedores que trabalhem em modelos e implementações diversas são alguns desafios de uma rede social descentralizada. Também existem aqueles no campo legislativo, em como responsabilizar, fiscalizar ou tirar do ar um conteúdo inapropriado”, avalia.

Bankman-Fried, da FTX, elencou como desafios durante o Breakpoint a criação de uma forma segura de troca de mensagens e a necessidade de comunicação com outras blockchains, garantindo interoperabilidade entre diferentes redes sociais.

Casos em andamento

Dois casos envolvendo tokenização e redes sociais estão em curso. O primeiro é o projeto Bluesky, revelado pelo Twitter, no fim de 2019, que consiste na criação de um protocolo próprio da rede social. O Bluesky se encontra em fase inicial, recrutando desenvolvedores para seu objetivo de “reconstruir a rede social” e “devolver o controle da experiência social aos usuários”.

Além do Twitter, o Reddit explora atualmente a inclusão de blockchain em sua plataforma. O The Block noticiou, no início deste mês, que as comunidades de criptomoedas e Fortnite do famoso fórum online já têm tokens próprios, e um desenvolvedor adiantou que o sistema de ‘likes e deslikes’ será substituído por tokens quando esta tecnologia se tornar mais escalável.

Mercado Bitcoin

Mercado Bitcoin

A maior plataforma de criptomoedas da América Latina