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Mercados

Fiscal assusta e Ibovespa ronda mínimas em um ano

Enquanto o teto de gastos preocupa investidores domésticos, lá fora uma nova versão da variante delta da Covid deixa os mercados em alerta

Tempo de leitura: 1 minuto

Bloomberg Línea — O principal índice da Bolsa de São Paulo parecia otimista na abertura, mas logo deixou o bom humor de lado e despencou, tocando os menores níveis em um ano. As incertezas em torno do andamento da PEC dos precatórios e a possibilidade que as despesas judiciais fiquem fora da regra do teto de gastos acendem o alerta dos investidores, que voltam ao modo receoso quanto às perspectivas econômicas do país.

Contaminadas pelo cenário desfavorável, as principais blue chips recuam e empurram o Ibovespa para baixo. O índice chegou a tocar os 102.013 pontos, na mínima do dia de hoje (18). Em um ano, o índice acumula perdas de 3,79%.

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Enquanto isso, nos Estados Unidos, os índices operam mistos, divididos entre os resultados corporativos positivos e as preocupações quanto a uma nova versão mais infecciosa da variante delta da Covid-19 que está se espalhando rapidamente no Reino Unido, responsável por cerca de 12% das amostras coletadas de uma pesquisa recente do governo.

Os pedidos de seguro desemprego semanais nos EUA, divulgados na manhã de hoje (18), caíram para 268 mil, o menor nível desde março de 2020, e ajudam no humor. Essa foi a sétima semana consecutiva de recuo no dado.

  • Perto das 13h30, o Ibovespa caía 0,58%, a 102.352 pontos
  • Vale (VALE3), Bradesco (BBDC4), Itaú (ITUB4) e Petrobras (PETR4) eram as maiores contribuições negativas para o índice
  • Dólar subia 0,36%, a R$ 5,56, também refletindo preocupações fiscais. Os vencimentos dos juros tinham desempenhos mistos: o DI para janeiro de 2023 subia de 12,020% para 12,080%, enquanto o juro para janeiro de 2027 caía de 11,900% para 11,870%
  • Nos EUA, o Dow Jones recuava 0,24%, enquanto o S&P 500 subia 0,15% e o Nasdaq, 0,20%

Contexto

A PEC dos precatórios segue dando o tom do humor dos mercados. Ainda em discussão entre as lideranças do Senado, a expectativa é de que seja pautada para discussão em plenário ainda este mês -- mas, com as mudanças que estão no radar dos parlamentares, a probabilidade é de que tenha que retornar à Câmara.

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Ontem (17), o ministro da Economia Paulo Guedes disse que vê como “um grande erro” a defesa de alguns senadores de deixar as despesas judiciais fora do teto de gastos.

Já os senadores José Aníbal (PSDB-SP), Alessandro Vieira (Cidadania-SE) e Oriovisto Guimarães (Podemos-PR) são autores de um substitutivo ao projeto aprovado pela Câmara, que elimina a mudança no cálculo do Teto de Gastos – mudança que provocou a demissão de quatro assessores de Paulo Guedes no mês passado – e que, se aprovado, na prática, proíbe o pagamento das chamadas emendas do relator. Pela proposta dos senadores, não há previsão de reajuste de salários para servidores, como o aventado pelo presidente Jair Bolsonaro.

Kariny Leal

Kariny Leal

Jornalista carioca, formada pela UFRJ, especializada em cobertura econômica e em tempo real, com passagens pela Bloomberg News e Forbes Brasil. Kariny cobre o mercado financeiro e a economia brasileira para a Bloomberg Línea.

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