Bitcoin: investimento ou meio de pagamento?

Em meio às crescentes oportunidades que se abrem para o uso da criptomoeda, especialistas opinam sobre qual seria a melhor finalidade

Bitcoin pode ampliar sua funcionalidade para uso no pagamento de despesas de baixo valor no dia a dia
Tempo de leitura: 3 minutos

Por Gino Matos para Mercado Bitcoin

São Paulo À medida que o Bitcoin, a maior criptomoeda em valor de mercado, cresce em popularidade, se amplifica também a discussão em torno de sua funcionalidade. No Brasil, por exemplo, onde essa questão tem ganhado corpo entre instituições responsáveis pela regulamentação e supervisão do sistema financeiro e na esfera política de Brasília, há opiniões divergentes.

Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central (BC), afirmou recentemente em evento da autoridade monetária que o Bitcoin será regulado primeiro como investimento, justificando que a moeda tem registrado baixo crescimento no que diz respeito à sua utilização como meio de pagamento.

Já para o deputado Aureo Ribeiro (Solidariedade-RJ), autor de um dos projetos que buscam a regulamentação das criptomoedas no país, o PL 2303/2015, já aprovado pela Comissão Especial na Câmara dos Deputados, o Bitcoin poderá ser utilizado como meio de pagamento, seja na compra de bens ou serviços de valores menores.

Em meio a divergências surge a dúvida sobre o uso do Bitcoin enquanto reserva de valor, fazendo dele uma espécie de ‘ouro digital’, ou como mais uma alternativa de pagamento. Vinícius Chagas, analista educacional pleno na Blockchain Academy, avalia que a maior criptomoeda em valor de mercado tem mais utilidade como investimento de longo prazo, haja vista sua escassez.

“Essa escassez do Bitcoin frente à abundância das moedas reais transforma a criptomoeda em uma excelente opção para estocar valor ao longo do tempo, ao lado do ouro, por exemplo”, explica Chagas.

Axel Blikstad, sócio da gestora BLP Asset, considera que o Bitcoin, atualmente, não se enquadra em nenhuma das finalidades citadas devido à sua volatilidade. Mas pondera: “acredito mais na criptomoeda como reserva de valor, porém, quando sua volatilidade for menor.”

Na visão de Blikstad, o principal uso do Bitcoin, neste momento, é como meio de transferência de valores nas remessas internacionais. Ele explica que, antigamente, as pessoas que mudavam de país em busca de trabalho e precisavam enviar dinheiro a seu país de origem pagavam caro pelo envio, além de o processo chegar a demorar até duas semanas. “Hoje, o envio de valores em Bitcoin tem baixas taxas e é processado rapidamente”, diz.

Stablecoins, uma alternativa

As stablecoins, criptomoedas lastreadas em ativos reais, como moedas fiduciárias, podem ser uma alternativa para os que queiram utilizar moedas digitais em transações do dia a dia. O educador da Blockchain Academy diz que é uma excelente saída, lembrando ainda a possibilidade de dispor do Bitcoin para gerar stablecoins.

“Essa prática é muito adotada pelos usuários de protocolos das Finanças Descentralizadas (DeFi, na sigla em inglês). Nesses protocolos, é possível pegar seus Bitcoins e colocá-los como garantia de crédito e retirá-los em stablecoins”. O usuário, diz Chagas, pode então usar essas stablecoins para fazer pagamentos e depois quitar o empréstimo, retomando seus Bitcoins dados em garantia.

Blikstad também aposta no uso das stablecoins como meio de pagamento, todavia, faz ressalvas quanto às blockchains. “No Ethereum, pagar com uma stablecoin pode gerar uma taxa de US$ 10, o que inviabiliza seu uso para tomar um café”, diz, em referência ao baixo valor do consumo em relação ao custo pelo uso da moeda.

“Por outro lado, a popularização de blockchains como a Solana, por exemplo, otimizada para processar mais transações, pode viabilizar o uso de stablecoins em pagamentos rotineiros”, completa

Soluções de segunda camada

Atualmente, o custo das transações e o tempo para processamento de uma operação em Bitcoin são elevados quando comparados a algumas blockchains. Sob essa ótica, é possível argumentar que esse cenário, por si só, já bastaria para desincentivar o uso do Bitcoin em pagamentos de pequena importância.

Blikstad, no entanto, compartilha sua crença no potencial das soluções em segunda camada para o Bitcoin, ou seja, uma camada alternativa para agilizar as transações que, sobreposta à blockchain, auxilia no processamento de informações e assim aumenta a capacidade da rede em termos de operações por segundo.

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