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Negócios

CEO do Magazine Luiza aposta em nova transformação da varejista

E-commerce já responde por cerca de 70% da receita da companhia, segundo Frederico Trajano em entrevista à Bloomberg TV

“Não perco muito tempo com previsão macro. Para o Brasil, é inútil, porque é um país muito volátil”
Por Felipe Marques
28 de Outubro, 2021 | 07:32 am
Tempo de leitura: 2 minutos

Bloomberg — Frederico Trajano ajudou a transformar a varejista de eletrodomésticos fundada por sua família na década de 1950 em um gigante do comércio eletrônico no Brasil.

Agora, Trajano quer transformar o Magalu mais uma vez.

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Trajano, de 45 anos, liderou a compra de 20 empresas de menor porte no último ano pelo Magazine Luiza. Os alvos incluíram fintechs, empresas de entrega de comida, startups de inteligência artificial e uma plataforma voltada para o público geek.

“Queremos tornar o Brasil digital, assim como tornamos o Magazine Luiza digital”, disse Trajano, diretor-presidente da varejista, em entrevista à Bloomberg Television. “Quando você olha o e-commerce no Brasil, mesmo depois da crise de Covid, representa apenas 10% do varejo. Portanto, o comércio eletrônico no Brasil vai crescer de qualquer maneira, mesmo que o PIB não cresça.”

No Magazine Luiza, o e-commerce já responde por cerca de 70% da receita, disse Trajano. Ele espera que a estratégia ajude a compensar o fraco crescimento do Brasil.

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O país mais uma vez enfrenta um período turbulento, com o aumento dos preços dos alimentos e combustíveis e a tentativa do presidente Jair Bolsonaro de elevar o auxílio emergencial antes de buscar a reeleição em 2022, mas contornando o teto de gastos. Os juros dispararam, e as perspectivas de crescimento foram revisadas para baixo, com alguns economistas já prevendo recessão em 2022.

“Não perco muito tempo com previsão macro. Para o Brasil, é inútil, porque é um país muito volátil”, disse Trajano.

O cenário mais negativo para a economia brasileira tem pesado sobre as ações do Magazine Luiza, que acumulam queda de 52% no ano depois do salto em 2020. A empresa também enfrenta maior concorrência da Amazon e do Mercado Livre.

Veja mais: Magalu rebate hipótese de desaceleração de crescimento após tombo das ações

Entre as iniciativas, o Magazine Luiza está vendendo produtos financeiros para outras varejistas conectadas ao seu marketplace, na esteira das recentes aquisições, disse o executivo. O objetivo de Trajano é transformar a empresa em algo semelhante aos conglomerados onipresentes da China, como Alibaba ou Tencent, empresas que têm “um modelo de negócio mais amplo, mas muito focado em um único país”, disse.

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Enquanto tenta mais uma vez reformular a Magalu, Trajano quer conduzir a estratégia sem mudar a “alma feminista de mente aberta” da empresa.

“Fomos fundados e liderados por mulheres há cerca de 40 anos, isso é muito atípico para a América Latina”, disse Trajano. A empresa leva o nome de Luiza Trajano Donato, tia-avó de Frederico, que ajudou a fundar a varejista. A mãe dele, Luiza Helena Trajano, atualmente é presidente do conselho, após um longo período como CEO.

“Grande parte do meu sucesso vem do que aprendi com as duas Luizas, o cerne da nossa cultura empresarial”, afirmou.

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