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Mercados

Promessa de juros baixos do BCE já não convence investidores

Com o avanço da inflação, mercado aposta que o movimento global para a retirada do estímulo monetário apoiado pelo Fed em breve deve puxar o BCE

Economista chefe do BCE, Philip Lane, fala durante entrevista
Por Jana Randow e James Hirai
26 de Outubro, 2021 | 02:30 pm
Tempo de leitura: 2 minutos

Autoridades do Banco Central Europeu vão precisar ser convincentes sobre o compromisso com taxas de juros baixíssimas, especialmente quando investidores estão cada vez mais céticos.

Os mercados financeiros têm ignorado alertas recentes de autoridades como o economista-chefe do BCE, Philip Lane, sobre o erro de investidores em antecipar um aumento dos juros no fim de 2022. A tarefa de persuadir o mercado do contrário caberá à presidente da instituição, Christine Lagarde, quando apresentar a decisão do conselho do BCE na quinta-feira.

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Com o avanço da inflação, impulsionada por gargalos de oferta e aumento dos custos da energia, investidores apostam que o movimento global para a retirada do estímulo monetário apoiado pelo Federal Reserve em breve deve puxar o BCE.

Essa ideia ganhou ainda mais destaque no debate entre autoridades que se perguntam como fazer a transição das compras de títulos de emergência, apesar da nova promessa de juros baixos da instituição.

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Em setembro, Lagarde sugeriu que a expectativa do mercado financeiro de algum aperto no futuro estava bem posicionada de maneira geral. Desde então, em meio a mais sinais de inflação, investidores começaram a antecipar expectativas de elevação dos juros e agora projetam que a taxa de depósito, atualmente em -0,5%, suba para zero no final de 2024.

“O mercado está bem à frente da provável resposta do BCE”, disse Giles Gale, chefe de estratégia de juros europeus no NatWest Markets. “Esperamos que Lagarde lembre ao mercado que são sérios o suficiente sobre a orientação futura de que este caminho representa um cenário de inflação alta bastante improvável.”

Orientar investidores será um desafio fundamental para Lagarde, pois ela apresentará o resultado de uma decisão que foi sinalizada apenas como um trampolim para um confronto em dezembro entre autoridades que determinarão o futuro do estímulo.

Dados a serem divulgados na sexta-feira devem mostrar alta dos preços ao consumidor nos 19 países da zona do euro próxima a 4%, o dobro da meta do BCE no médio prazo. Por enquanto, autoridades do BCE têm insistido que esse avanço é amplamente transitório.

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Previsões mais recentes do BCE mostram a inflação desacelerando para 1,5% em 2023, não o suficiente para justificar juros mais altos com base no manual atualizado da instituição, segundo o qual as projeções devem mostrar pressões de preços de 2% por algum tempo antes que tal medida possa ser considerada.

Mesmo que Lagarde e membros do BCE consigam mudar a percepção do mercado esta semana, sua política permanecerá vulnerável às preocupações dos investidores guiadas pela alta dos preços globais.

“A precificação de curto prazo pode ser corrigida um pouco para baixo na quinta-feira”, disse Jan von Gerich, estrategista-chefe do Nordea Bank. “Mas, no cenário mais amplo, as preocupações com a inflação global ainda têm espaço para escalar.”

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