Bloomberg — Operadores do Reino Unido dobraram as apostas em juros mais altos depois dos sinais de aperto da política monetária enviados presidente do Banco da Inglaterra, Andrew Bailey. Com isso, os rendimentos dos títulos de dois anos registraram o maior aumento em mais de seis anos.
Bailey disse no domingo que o banco central “tem que agir” para frear a inflação e alertou que, com os custos de energia mais altos, as pressões sobre os preços vão persistir.
Os comentários foram interpretados por traders como mais uma evidência de que o BOE prepara as bases para aumentar os juros e sugerem que o Reino Unido poderia liderar outras economias desenvolvidas a tomarem medidas para controlar a inflação. Os mercados monetários regiram rápido para refletir os sinais de aperto monetário do BOE e agora indicam aumento de 15 pontos-base da taxa de juros no mês que vem. O rendimento dos títulos de dois anos no Reino Unido deu um salto de 15 pontos-base, para 0,73%, o maior ganho desde 2015.
A precificação do mercado “implica que as taxas de juros precisarão aumentar ainda mais e mais rápido do que em qualquer momento nos anos pós-crise”, disse James Smith, do ING. “Também sinaliza que investidores acreditam que a inflação será um problema muito maior para membros do banco central no Reino Unido do que nos EUA - ou, pelo menos, que o BOE provavelmente fará algo a respeito”.
Há também preocupação crescente com o risco de que os juros mais altos afetem a a frágil economia do Reino Unido. Economistas consultados pela Bloomberg cortaram a estimativa de crescimento para 2022 em 0,4 ponto percentual, para 5,1%.
Mas a ameaça da inflação tornou-se grande demais para ser ignorada pelas autoridades de política monetária, e operadores do Reino Unido há meses antecipam as projeções de aumentos dos juros. Traders veem aumento adicional de 36 pontos-base dos juros em dezembro e apostam que a taxa básica do BOE atingirá 1% em agosto em relação a 0,1% atualmente.
Economistas de bancos acompanham os mercados e também antecipam previsões de uma alta iminente dos juros: Goldman Sachs e ING esperam alta de 15 pontos-base, para 0,25% em novembro, como o cenário mais provável.
As mudanças no mercado de títulos do Reino Unido refletiram aumentos nos EUA, Austrália, Nova Zelândia, onde as expectativas de aperto da política monetária também aumentaram. Nos EUA, operadores reforçaram as apostas em juros mais altos na semana passada para quase 50-50 até junho.
“O tema global é que a inflação mais alta provavelmente será menos transitória do que o esperado anteriormente diante dos preços elevados das commodities”, disse Andrew Ticehurst, estrategista de juros da Nomura Holdings, em Sydney. “Os fortes dados das vendas de varejo nos EUA na sexta-feira e os números do IPC do terceiro trimestre muito mais fortes do que o esperado na Nova Zelândia nesta manhã reforçam esta tendência.”
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