Atualização Taproot pode dar espaço para futuras aplicações DeFi no Bitcoin

Mudança prevista para novembro poderá ser o primeiro passo na inclusão das finanças descentralizadas

Mudança feita pelo Trapoot reduzirá a quantidade de dados hoje presentes em cada bloco da blockchain do Bitcoin
Tempo de leitura: 2 minutos

Por Gino Matos para Mercado Bitcoin

São Paulo — O Bitcoin se encaminha para a primeira atualização em seu protocolo nos últimos quatro anos, chamada de Taproot. Prevista para meados de novembro, a mudança reduzirá a quantidade de dados hoje presentes em cada bloco da blockchain do Bitcoin, resultando em taxas mais baratas nas transações, além da possibilidade de mais operações serem processadas por segundo.

A Taproot levou a entusiastas das criptomoedas a esperança de que a melhoria na capacidade transacional do Bitcoin abriria espaço para o surgimento, ainda que gradual, de um ecossistema de aplicações de finanças descentralizadas (DeFi, na sigla em inglês). Por ser um ambiente dinâmico, formado por diferentes plataformas muito ativas, é fundamental que a blockchain onde aplicações em DeFi se desenvolvem seja ágil.

“O conceito de agregação de chaves trazido pelo Taproot fará com que o número de transações caia e que um bloco consiga guardar mais dessas operações. Contudo, não acredito que o foco do Taproot seja DeFi”, diz Bruno Ely Reis Garcia, desenvolvedor brasileiro que colaborou com a revisão do código da atualização Taproot. “O Bitcoin já tem a capacidade para que outras aplicações sejam desenvolvidas sobre ele, como Liquid e Lightning Network, mas o Taproot não está totalmente relacionado ao DeFi no protocolo”.

Garcia explica que o Bitcoin já dispõe de soluções relacionadas às finanças descentralizadas, como a RSK, rede de contratos inteligentes criada especificamente para viabilizar o desenvolvimento de DeFi no protocolo ao qual pertence a maior moeda digital em valor de mercado.

Abrindo caminho

A blockchain do Bitcoin é conhecida por não ser tão ágil quanto outros protocolos, como Solana ou Ethereum. O que, atualmente, dificulta a criação de soluções sobre seu código. A título de comparação, o Bitcoin processa um bloco a cada 10 minutos, enquanto o Ethereum demora 15 segundos e a Solana, quase 0,4 segundo para realizar o mesmo processo. Essa métrica impacta a quantidade de transações processadas por segundo, ou seja, quanto mais rápido é processado um bloco, potencialmente mais transações são realizadas. Uma vez que um ecossistema DeFi precisa de agilidade, fica evidente a dificuldade de se criar soluções para o Bitcoin. Embora a Taproot não altere o tempo de processamento dos blocos, ela permite que mais transações sejam registradas, impactando no número de transações processadas por segundo.

Liquid e Lightning Network, mencionadas por Garcia, são duas soluções de escalabilidade em segunda camada. O nome é conferido às aplicações que focam em retirar grandes pedaços de informação da blockchain principal e processá-los em uma nova camada, devolvendo-os ao fim da operação. Esse movimento economiza recursos da cadeia de blocos principal, impactando positivamente na velocidade de processamento de transações.

Para o desenvolvedor, a atualização Taproot se junta a várias soluções para impulsionar a criação de aplicações, tendo o Bitcoin como protocolo nativo, estando envolvidas com finanças descentralizadas ou não. “Acredito que uma próxima atualização de software do Bitcoin seja relacionada a soluções de segunda camada ou outro conceito que facilite a construção de aplicações descentralizadas ou centralizadas”, diz.

Dessa forma, ainda que a atualização Taproot não seja sinônimo de um ecossistema de DeFi sobre o Bitcoin em um primeiro momento, Garcia avalia que existem atualizações “no pente” prontas para serem implementadas e com potencial de melhorar a experiência de desenvolvedores e usuários quanto à criação e uso de aplicações em Bitcoin.

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