Após um mês da Ley Bitcoin, o que mudou em El Salvador

Protestos e avanços na adoção da criptomoeda pelo comércio local marcaram o período

Bitcoin convive com o dólar como moeda aceita em El Salvador, após o presidente Nayib Bukele declarar a criptomoeda como meio de pagamento legal
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Por Gino Matos para Mercado Bitcoin

São Paulo — No início de setembro, a lei que transformou o Bitcoin em moeda de curso legal em El Salvador, a Ley Bitcoin, entrou em vigor. Embora seja um período de tempo relativamente curto, protestos contra a nova lei foram realizados, a mineração sustentável ganhou destaque e a carteira oficial do governo, a Chivo, conseguiu atrair perto de três milhões de usuários.

“A Ley Bitcoin gerou reações diferentes na população salvadorenha especialmente porque muitas pessoas acreditaram que seria obrigatório usar a criptomoeda, ainda que o governo tenha explicado que não seria o caso”, conta Melvin Castillo, presidente da cooperativa Ascav, de poupança e crédito, primeira em El Salvador a adotar o Bitcoin em suas transações. “Com o passar do tempo, a população começou a entender melhor sobre o Bitcoin. Alguns buscam aprender por conta própria, enquanto outros procuram organizações relacionadas a criptomoedas para se inteirar sobre a moeda digital”.

A relação do único país da América Central não banhado pelo Mar do Caribe com a maior criptomoeda em valor de mercado não começou em setembro. A Praia de El Zonte, localizada na região de mesmo nome em El Salvador, é mundialmente conhecida como a Praia do Bitcoin. Além de ser uma região propícia para a prática do surfe, os comerciantes locais já aceitam Bitcoin antes mesmo de o ativo ganhar status de moeda corrente.

“Fiquei impressionado com a trajetória de adoção de Bitcoin no país. Ao contrário dos cartões de crédito, que começaram a ser usados primeiro por grandes estabelecimentos, o uso de Bitcoin é mais forte em negócios pequenos e informais, que representam aproximadamente 55% das transações em nosso país”, acrescenta Castillo. O presidente da Ascav se mostra contente com o fato de “pessoas com pouca escolaridade” aprenderem a usar tecnologias de ponta, como o Bitcoin e as ferramentas relacionadas às criptomoedas.

Documentário retrata adoção da moeda

A minissérie Lightning Diaries aborda o uso de Bitcoin em El Salvador na vida cotidiana. Renata Rodrigues, gerente de marketing na Paxful, empresa por trás da produção do documentário, diz que se surpreendeu com o nível de adoção em pequenas cidades. “Atribuiria isso ao fato de que os salvadorenhos receberam o incentivo de US$ 30,00 do governo para usar a Chivo, carteira oficial do país, e os pequenos negócios se adaptaram rapidamente”, conta.

A carteira Chivo tem uma versão pessoal, para que cidadãos do país usem para transações do cotidiano, e outra, corporativa, voltada aos negócios locais. Renata compartilha que em pequenas cidades predomina a carteira pessoal, utilizada por pequenos comerciantes que enxergaram no Bitcoin a oportunidade para criar promoções e alavancar o consumo. Renata também vê uma entrada mais forte do Bitcoin em grandes franquias de alimentação como McDonald’s, Pizza Hut e Starbucks.

A gerente de marketing da Paxful diz ainda que a pequena cidade de Sonzacate, com 20 mil habitantes, já possui cerca de 100 comerciantes que aceitam a criptomoeda muito antes da Ley Bitcoin. “Eles saíram na frente, pois usam o Bitcoin há cerca de dois anos, quando a criptomoeda ainda não tinha ganhado a legalidade no país”. As cidades menores também lideram em termos de adoção, segundo Renata, sendo mais provável viver nestas regiões somente com Bitcoin do que na capital salvadorenha, San Salvador.

Mesmo com os avanços feitos em pouco tempo, Renata ressalta que o setor varejista ainda tem um longo caminho a percorrer. “Embora estejamos vendo a adoção em massa, a educação sobre Bitcoin e as alternativas que ele pode trazer às pessoas ainda se faz necessária”.

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