Inflação global volta a assombrar e mercados abrem no vermelho

Dados da Zona do Euro abaixo do esperado se somam ao varejo brasileiro decepcionante e, junto à preocupação permanente quanto à inflação, geram mau humor global

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São Paulo — O principal índice da bolsa brasileira abriu a sessão desta quarta-feira (6) em queda, chegando a perder o patamar dos 109 mil pontos na primeira hora de pregão. O Ibovespa segue a tendência de venda global, com as preocupações sobre a inflação em todo o mundo assombrando os investidores.

Nos Estados Unidos, as ações dos seguem o movimento dos mercados europeus, com o relatório de emprego norte-americano divulgado pela ADP melhor que o esperado sendo ofuscado pelos receios inflacionários, em meio à disparada dos preços de energia.

  • Perto das 10h40, o Ibovespa caía 1,04%, a 109.308 pontos, após tocar os 108.887 pontos na mínima
    • Petrobras (PETR4 e PETR3) e PetroRio (PRIO3) eram as maiores contribuições para a baixa do índice
  • O dólar subia 0,54%, a R$ 5,531, enquanto a curva de juros seguia em tendência oposta. O DI para janeiro próximo ia de 7,244% para 7,220%
  • Nos EUA, o S&P 500 caía 0,78%, o Dow Jones, 0,84% e o Nasdaq, 0,59%

Contexto

As vendas no varejo brasileiro tiveram queda mensal de 3,1% em agosto, após quatro altas consecutivas. Nos últimos 12 meses, o indicador acumula alta de 5% e, no ano, de 5,1%. As informações foram divulgadas nesta quarta-feira (6) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Conforme Samuel Cunha, economista e sócio da H3 Invest, vendas do varejo vieram “bastante abaixo do esperado”. “Surpreendeu bastante, mercado reage de forma negativa.”

Enquanto isso, lá fora, o S&P 500 e o Nasdaq recuam, enquanto as ações europeias se dirigiam para a mínima de dois meses em um recorde de preços do gás natural, mesmo com a União Europeia prometendo ação rápida.

As perdas vieram apesar do relatório de empregos ADP melhor do que o esperado, o que gera mais expectativa pelo relatório oficial de emprego na sexta-feira (8), o Payroll. O dado reforça as estimativas de que o Federal Reserve começará a reduzir o estímulo no próximo mês.

Os mercados permanecem voláteis devido às preocupações de que a inflação elevada pode persistir por mais tempo do que o banco central espera, especialmente em face de uma crise de energia neste inverno.

-- Com informações de Bloomberg News