Criptomoedas ajudam a combater a fome na América Latina

Iniciativa impactMarket foca na distribuição de renda por meio das finanças descentralizadas

Moedas digitais entram no cenário de assistência social por meio das finanças descentralizadas
Tempo de leitura: 3 minutos

Por Gino Matos para Mercado Bitcoin

São Paulo — Nos dados do World Poverty Clock, ferramenta que monitora em tempo real o número de pessoas que vivem em situação de extrema pobreza ao redor do mundo, o total das que têm renda diária inferior a R$ 10,00 ultrapassa os 713 milhões. Ou seja, quase 9% da população mundial vive em condições de vulnerabilidade econômica. Foi nessa dura realidade que o mercado de criptomoedas encontrou a oportunidade para ajudar esse público desassistido via finanças descentralizadas.

O impactMarket é uma iniciativa com foco na distribuição da Renda Básica de Cidadania (UBI, na sigla em inglês) por meio de contratos inteligentes. Atualmente, atende 117 comunidades globalmente, sendo 67 no Brasil. São 21,1 mil pessoas no mundo, com 12,1 mil delas aqui. “Qualquer um pode doar valores diretamente a esses contratos inteligentes, que automatizam o processo de distribuição às comunidades e estipulam regras para os saques”, explica Marco Barbosa, idealizador do projeto. Os recursos arrecadados são repassados por meio de Celo Dollar (CUSD), criptomoeda com valor pareado ao dólar americano, creditado em uma carteira digital criada e fornecida a cada beneficiário.

A comunidade se inscreve no impactMarket preenchendo um formulário. Se aprovada, passa a integrar a lista dos que receberão doações. Além de desenvolver contratos inteligentes para que as comunidades tenham acesso a doações, a equipe do impactMarket faz acompanhamento educacional, que consiste em mostrar como converter criptomoedas em moedas fiduciárias.

Barbosa ressalta, porém, que muitas vezes as comunidades se organizam em torno das criptomoedas sem converter os valores em moedas fiduciárias. “Como são muito carentes e a maioria dos moradores possui Celo Dollars, os comerciantes optam por receber diretamente em criptomoeda, com medo de que os consumidores gastem o dinheiro em outros estabelecimentos”, conta.

A força dos serviços financeiros

O acesso aos serviços financeiros, muitas vezes, pode ser a peça-chave que faltava para o desenvolvimento de um ecossistema. É o que as comunidades beneficiadas pelo impactMarket no Brasil podem indicar. “Todas as nossas comunidades no Brasil passam a se organizar em torno das contas digitais e criptomoedas quando expostas a essas tecnologias. Um exemplo é uma situada em Portão, bairro de Lauro de Freitas, na Bahia. Quando os beneficiários começaram a receber Celo Dollars, alguns mercadinhos passaram a se interessar e, ao ver que elas se transformavam em dinheiro, aceitaram as criptomoedas”, revela Rafael Schimidt, Country Manager da impactMarket no Brasil. Ele conta que, em outro bairro, uma pizzaria vendeu R$ 8 mil em produtos em uma só noite após passar a aceitar CUSD.

Há locais ainda no estado baiano em que o acesso a uma fonte de renda básica mínima e aos serviços financeiros levou estabelecimentos a fechar por falta de produtos, dada a forte demanda. “É importante ressaltar que muitos beneficiários desempregados passam a desenvolver seus próprios negócios voltados à comunidade ao receber UBI, reinvestindo os ganhos no crescimento do ecossistema construído por eles”, acrescenta Susanne Zapelão, responsável pela área de comunicação da impactMarket na América Latina. “Constrói-se um sentimento forte de comunidade, de ajuda mútua”, completa a executiva.

Schimidt e Susanne explicam como ter produtos básicos empodera os beneficiários e incentiva o desenvolvimento por meio da expansão do acesso à internet, da busca por saneamento básico e energia elétrica e pelos serviços financeiros prestados dentro da própria comunidade. Em muitos casos, quando as comunidades beneficiadas pelo impactMarket estão próximas, há um forte senso de cooperação e estruturação que independe dos esforços educacionais do projeto.

“Elas formam grupos no WhatsApp e ficamos lá apenas tirando dúvidas. Fora isso, eles interagem entre si e desenvolvem seus negócios com base em suas iniciativas”, diz Schimidt. Susanne cita também a Feira impactMarket, criada pelos beneficiários de diferentes comunidades, cujo objetivo é disseminar as várias aplicações do projeto e ajudar esses ecossistemas a se desenvolver ainda mais.

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