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Juros: BC divide analistas e projeções para Selic vão de 8,5% a 10%

Ata do Copom reforçou a indicação de manutenção do ritmo de alta dos juros, enquanto sinalizou que o aumento da magnitude do ciclo de aperto para patamar “significativamente contracionista” é apropriado para convergência da inflação à meta em 2022 e 2023

Presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, comanda aperto nos juros brasileiros
Por Josue Leonel e Patricia Xavier
28 de Setembro, 2021 | 01:02 pm
Tempo de leitura: <1 minuto

Bloomberg — A ata do Copom que elevou os juro em 1 ponto percentual, para 6,25%, reforçou a indicação de manutenção do ritmo de alta da Selic à frente, enquanto sinalizou que o aumento da magnitude do ciclo de aperto para patamar “significativamente contracionista” é apropriado neste momento para a convergência da inflação à meta em 2022 e 2023.

O Copom avaliou os custos e benefícios de acelerar o ritmo da elevação dos juros, mas concluiu que o estágio atual já é “efetivamente contracionista” e que o ineditismo da pandemia reforça vantagens de acumular mais informações sobre a economia e os choques.

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A exemplo do que ocorreu no comunicado da semana passada, os analistas estão divididos sobre qual o tamanho do ciclo. Enquanto uma parte vê os juros na casa dos 8,5%, outros veem a taxa podendo chegar a 10% no próximo ano, a depender do desempenho da inflação.

Veja o que dizem os analistas:

Mario Mesquita, economista-chefe do Itaú

  • Ata sugere que as autoridades ainda estão focadas em garantir a convergência para a meta em 2022, mesmo que ao custo de um aperto monetário mais forte
  • O texto fornece argumentos para manter o ritmo de alta de 1,0 p.p., mas dá indicações de que o ciclo pode se estender adentro de 2022
  • Por enquanto, banco espera que o Copom mantenha o ritmo de 1,0 p.p. até o final do ano, mas esse ritmo pode ser mantido no primeiro trimestre do ano que vem
  • Itaú projeta que a taxa Selic terminará o ciclo em 9%, mas há viés para uma taxa de juros mais alta

Rafaela Vitoria, economista-chefe do Banco Inter

  • Ata deixa claro que BC não vai mudar ritmo de alta de 1pp; por outro lado, se as expectativas continuarem piorando, juro pode ir acima de 8,25%, com alta da Selic continuando em 2022
  • O que pode ficar antigo na ata é o cenário externo, com possível início da redução de estímulos do Fed em novembro; isso pode complicar um pouco mais a situação do BC, cenário externo está em processo de mudança

João Fernandes, economista da Quantitas

  • Banco Central deu ênfase a cenário onde Selic vai para algo acima de 9%, 9,5%, mostrando-se aberto a levar juros a nível maior do que comunicado havia sinalizado
  • "Não é um recado que vai para esse patamar de juros, pode ir se cenário de inflação ensejar"
  • Quantitas trabalha com cenário de 10% para Selic ao final do ciclo

Carlos Menezes, gestor da Gauss Capital

  • "Minha leitura é que a ata veio até ligeiramente mais dove do que o precificado"
  • Ata deu a entender que não pretendem acelerar o ritmo e que já estão em terreno contracionista
  • Menção da ata a "neste momento" pode "jogar para os dois lados", em favor de interpretação de mais ou menos alta de juros

Cristiano Oliveira, economista-chefe do Banco Fibra

  • Nível de juro adequado é de 8,5%, o que corresponderá a juro real em torno de 5% no primeiro trimestre de 2022
  • "Porém, entendo que o mercado vai precificar taxa entre 8,5% e 9,5% como cenário mais provável nas próximas semanas"
  • Há muita pressão inflacionária para aparecer ainda e o cenário internacional continua desafiador para mercados emergentes

Alberto Ramos, economista-chefe para América Latina do Goldman Sachs

  • Vê outra elevação de 1pp na próxima reunião e uma subida constante e relativamente rápida para um valor acima do neutro de 8,25% no final de 2021, e até, pelo menos, 8,75% no primeiro trimestre de 2022

Bradesco, Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos

  • Mesmo mantendo o ritmo atual de ajuste, o ciclo da política monetária deverá avançar para um patamar mais contracionista do que o esperado, diante das preocupações com a persistência da inflação e das expectativas de 2022 acima da meta

Mariam Dayoub, economista-chefe da Grimper Capital

  • "A ata coloca uma série de fatores que mostram inflação pior, mas decide por manter o ritmo para adquirir mais dados sobre estado da economia e persistência da inflação"
  • Inclusão do "neste momento" gerou ruídos porque algumas pessoas no mercado consideram que pode indicar mudança de ritmo

Gustavo Arruda, diretor de pesquisas para America Latina do BNP Paribas

  • Ata foi mais dovish e mais preocupada com atividade
  • Ata não reconhece mudança para pior do cenário para inflação e expectativas
  • BC mudou o foco do hiato para olhar o mercado de trabalho, que demora mais para se recuperar e há diferenças de medição entre Caged e Pnad

Jason Vieira, economista-chefe da Infinity Asset

  • BC deve realizar mais duas altas de 1pp e, depois, avaliar o cenário
  • "Mercado não está entendendo que a atual taxa de juros já é restritiva e que Selic está indo para o terreno contracionista"

Veja mais em bloomberg.com


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