Mercados

BC provocou ‘deuses do câmbio e da inflação’, diz Parnes, da SPX

“O mercado vai ficar mais seletivo com a inflação aparecendo no mundo e os bancos centrais querendo sair da festa”

BC deu azar com a seca e o choque de alimentos
Por Vinícius Andrade e Cristiane Lucchesi
27 de Setembro, 2021 | 02:24 pm
Tempo de leitura: 1 minuto

Bloomberg — O Banco Central tomou muito risco ao levar a taxa básica de juros ao patamar de 2% e agora está tendo que corrigir a inflação, adotando uma postura mais incisiva na condução da política monetária, de acordo com Beny Parnes, sócio da SPX Capital.

“O BC provocou os deuses do câmbio e da inflação -- que são deuses muito vingativos -- e deu azar com a seca e o choque de alimentos”, disse Parnes, que é ex-diretor do Banco Central, em entrevista.

A autoridade monetária subiu a taxa Selic para 6,25% na última quarta-feira (22) e sinalizou uma terceira alta de 100 pontos-base para a reunião de outubro. Na sexta-feira (24), o IPCA-15 acumulado em 12 meses superou os 10% pela primeira vez desde 2016, levando a uma série de revisões nas projeções de inflação de bancos como JPMorgan, Barclays e Credit Suisse.

Veja mais: IPCA-15 sobe aposta em aceleração da Selic mesmo com sinal do BC

PUBLICIDADE

A SPX Capital, fundada em 2010 e uma das maiores gestoras independentes do Brasil, com cerca de R$ 56 bilhões sob gestão, já havia chamado atenção para a piora no quadro macroeconômico em sua última carta a clientes, em meio ao aumento das pressões inflacionárias e revisões baixistas para crescimento econômico.

Fim de festa no exterior?

Parnes vê uma piora no cenário externo, com a proximidade do início da redução de estímulos pelo Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos. “Não digo que a piscina vai secar de uma hora para a outra, mas vai começar a esvaziar”, disse. “O mercado vai ficar mais seletivo com a inflação aparecendo no mundo e os bancos centrais querendo sair da festa.”

Veja mais: No day-after do Fed, traders veem 1º aumento de juros no fim de 2022

Adicionalmente, a China deve seguir adotando medidas que trazem ruído na economia mundial, em meio a uma mudança em seu modelo de desenvolvimento, segundo Parnes. “Daqui para frente, a China não será mais fonte de boas notícias para o Ocidente.”

Veja mais em bloomberg.com

PUBLICIDADE