Trader ligado a investigação no Morgan Stanley monta gestora no Brasil

Rodrigo Jolig, que tem mais de uma década no Morgan Stanley e ainda consta como funcionário do banco, é um dos sócios da Alphatree Capital, gestora com sede em São Paulo

Por

Um trader sênior de moedas do Morgan Stanley, parte de uma unidade que foi investigada pela marcação de derivativos em 2019, emergiu como um dos sócios em uma nova gestora de recursos no Brasil. A família Horn, da Cyrela, também é acionista no projeto.

Rodrigo Jolig, que tem mais de uma década no Morgan Stanley e ainda consta como funcionário do banco, é um dos sócios da Alphatree Capital, gestora com sede em São Paulo, de acordo com documentos regulatórios.

Jolig não possui função executiva na Alphatree neste momento, de acordo com pessoas com conhecimento do assunto. Um representante do Morgan Stanley e Jolig não comentam.

Seu antigo chefe Thiago Melzer, também parte da unidade investigada em 2019, deixou o banco recentemente e está começando a sua própria gestora, a Upon Global Capital, um projeto distinto.

A Alphatree está “em estágio de estruturação” sob o comando de Jonas Doi, um ex-trader do Credit Suisse e do JPMorgan, segundo nota enviada pela gestora. A empresa planeja lançar seu primeiro fundo multimercado com R$ 300 milhões sob gestão, segundo a nota. O fundo será destinado a investidores qualificados, e a estratégia combinará gestão discricionária de ativos globais com modelos sistemáticos.

Jolig e Melzer integravam uma unidade do Morgan Stanley que negociava derivativos cambiais conhecidos como opções de câmbio. Em 2019, uma série de transações ligadas à lira turca deu errado, causando perdas milionárias e levando a uma investigação interna sobre a marcação dos derivativos, pessoas com conhecimento do assunto disseram à época. O status da revisão - e suas conclusões - não são claras.

A família Horn será sócia na nova gestora via a Perspectiva Investimentos e Participações Imobiliárias, de acordo com documentos regulatórios. O patriarca Elie Horn, 77, nasceu na Síria mas mudou-se para o Brasil quando criança e construiu sua fortuna no setor imobiliário na América Latina. A família Horn também vai fornecer capital inicial para a gestora.

Veja mais em bloomberg.com

Leia também

Fed e acerto de Evergrande com credores atenuam incertezas do mercado