Como investir nos EUA com US$ 1? Sprout levanta US$ 5,7 mi para ajudar com isso

Startup da YC funciona apenas com convites e planeja chegar ao público ainda no quarto trimestre

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Miami — Hoje, a Sprout, uma rede social e plataforma de investimentos que acabou de sair do Summer 21 da YCombinator, anunciou uma rodada seed de US$ 5,7 milhões. A empresa, que tem escritórios em São Paulo e Miami e está na fase beta, somente para convidados, permite que quem mora na América Latina invista nos mercados dos EUA por meio de seu aplicativo. A empresa planeja chegar ao público no quarto trimestre deste ano.

“É um cruzamento entre uma rede social, como você encontraria no LinkedIn, e uma plataforma de investimento como a Robinhood”, disse Ruben Guerrero, cofundador e CEO da Sprout.

Tirar seu dinheiro da América Latina é um desafio – e um desejo – de longa data para muitos na região devido à instabilidade política e ao fato de que as moedas locais tendem a flutuar drasticamente. Além de serem ótimas cidades para se visitar, Miami e Nova York tradicionalmente atraem investidores estrangeiros do setor imobiliário como forma de injetar dinheiro na economia americana, e o investimento nos mercados sempre esteve reservado para quem tem os meios e a infraestrutura para acessá-lo.

O conceito da Sprout, semelhante à Public.com, dos EUA (que é uma investidora) é que o mercado de ações foi construído para dar ao cidadão comum a chance de investir em empresas, mas a barreira de entrada continua sólida porque é necessário certo nível de educação financeira. Como resultado, a Sprout visa educar o público, e uma forma de fazer isso é por meio de criadores de conteúdo financeiro e de uma rede social.

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Hoje vemos pessoas falando sobre investimentos em criptomoedas e NFTs no Twitter, mas quando você recebe uma dica, precisa ir até uma plataforma de investimento para executar seu investimento. A Sprout está juntando tudo em um só lugar.

Se você proporciona uma plataforma, mas não educa o público, ainda existe uma lacuna e certa disparidade”, disse Guerrero. “Queremos eliminar a crença de que é preciso ser rico para começar”, acrescentou. A empresa afirma que não há taxas e que as pessoas podem começar a investir com apenas US$ 1.

Se a abordagem de “democratização financeira” e versão beta somente para convidados parece familiar, provavelmente é porque cerca de metade dos 17 funcionários da Sprout são originários do Nubank, incluindo o cofundador e CTO de Guerrero, Tyler Richie, que foi um dos primeiros cientistas de dados do Nubank.

O escritório de Miami funcionará como a unidade de corretagem da empresa e atenderá a todos os clientes da América Latina.

Além de ter sido policial militar nos EUA por mais de oito anos, Guerrero também foi analista do Goldman Sachs e gerente da E*Trade. Assim como David Velez, cofundador e CEO do Nubank, Guerrero foi apresentado ao Brasil em 2008, quando se mudou para São Paulo a trabalho. Ele diz que a vivência no país, combinada com sua experiência financeira, gerou a ideia para a Sprout.

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A empresa em pré-lançamento ainda não tem um modelo de receita definido, mas disse que planeja cobrar uma taxa de assinatura no futuro e também tem um modelo de compartilhamento de receita com seus criadores. A ideia é que um criador possa receber “gorjetas” por seu conteúdo e, se o lado da rede social da empresa for bem-sucedido, o criador pode ganhar uma boa quantia dessa forma.

As investidoras de sua rodada seed incluem: Y Combinator, Public.com e Sound Ventures, Liquid2, Geometry Ventures, HOF Capital, Quiet Ventures, First Check Ventures, Investo e The Marathon Lab, entre outros.

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