Blockchain se torna aliada na preservação do meio ambiente

Tecnologia ganha destaque ao dar transparência e segurança às informações sobre cumprimento das boas práticas de governança

Tempo de leitura: 3 minutos

Por Gino Matos para Mercado Bitcoin

São Paulo — A preocupação de empresas e setores da economia com a transparência no cumprimento dos princípios de governança ambiental abriu espaço para a blockchain. A tecnologia tem sido integrada aos negócios de companhias com o objetivo de monitorar as ações voltadas à preservação do meio ambiente e as práticas do ESG, conceito na sigla em inglês para Ambiental, Social e Governança.

Com a blockchain é possível não apenas registrar as informações do movimento do setor corporativo na direção das boas práticas de sustentabilidade, mas ‘fiscalizar’ como anda a responsabilidade em relação ao tema. José Reynaldo Formigoni Filho, gerente de soluções em blockchain do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPQD), explica que “o uso da blockchain cria um ambiente de maior confiança entre os atores envolvidos nas diferentes cadeias produtivas em função de suas características”. Ele ressalta que a blockchain conta com maior segurança cibernética ao criar trilhas de auditoria imutáveis, com transparência e compartilhamento seguro de informações.

O setor agropecuário, diz Formigoni, tem tido destaque especial no uso da blockchain com a finalidade de rastrear a cadeia de proteína animal e contribuir para a redução da emissão de dióxido de carbono (CO2). Em 2019, a pecuária de corte respondia por 62% das emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE), no Brasil, segundo o Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa do Observatório do Clima.

O CPQD criou a Plataforma Safe Trace Conecta, que foca na rastreabilidade e se relaciona diretamente com o conceito do ESG. O objetivo é monitorar a cadeia de produção da carne bovina no Brasil. A plataforma tem atualmente a participação dos maiores frigoríficos do país, diz Formigoni.

Uma das soluções desenvolvidas pelo CPQD envolvendo uma blockchain é a criação, para a Companhia Paranaense de Energia (Copel), de um mercado para compra e venda de energia renovável. Nesse ambiente os consumidores que instalaram painéis fotovoltaicos em sua residência, comércio ou indústria podem comercializar o excedente da energia gerada. Hoje, pela Resolução Normativa nº 687 da Aneel, a energia produzida a mais pelo consumidor vira créditos, compensados em sua conta. A idéia da solução que está em estudo, segundo o CPQD, é a de que, como projeto de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), abra espaço a novos modelos de negócio para esse excesso de energia produzida.

Carbono neutro

Quando se fala em ESG o conceito remete ao carbono neutro - todo e qualquer processo que reduza ou neutralize a emissão dos gases de efeito estufa. Um dos mecanismos para empresas e países que não conseguiram cumprir as metas de proteção ambiental alcançar essa neutralidade é por meio dos créditos de carbono, comercializados no mercado. A climate tech brasileira MOSS tem atuado globalmente nessa operação.

“O mercado de carbono teve problemas com fraudes, como por exemplo um mesmo crédito sendo compensado duas vezes”, conta Luis Felipe Adaime, CEO da plataforma ambiental MOSS, que trouxe para o mercado o token de créditos de carbono MCO2, com lastro em créditos reais e transportado para a blockchain com o propósito de facilitar sua auditoria.

“Esse certificado digital representa um movimento de preservação do ambiente, vinculado a uma tecnologia reconhecida por sua segurança e facilidade em ser auditada”, diz Adaime sobre o uso de blockchain na criação do MCO2. Entre janeiro e agosto de 2021, o MCO2 ajudou 159 empresas a compensar emissões de dióxido de carbono.

A brasileira Sthorm criou o projeto carbono neutro, plataforma para a criação de tokens não fungíveis, os NFTs. Lançado em agosto, teve seus 39 milhões de tokens vendidos em menos de três horas e bateu recorde de usuários na plataforma OccamRazer. O objetivo do THEOS é servir como peça do Global Pandemic Shield (GPS), usando as taxas de intermediação de venda de NFTs para financiar projetos de pesquisa no combate a doenças como dengue, febre amarela, AIDS e, agora, Covid-19.

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