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Estilo de vida

Arthurito: Investidor pessoa física se comportou bem nos momentos de stress

Em conversa bem-humorada, influencer anônimo que segue escola do Goldman Sachs Elevator fala de planos para tirar startup do papel e torrar o bônus no verão europeu em 2022

Influencer anônimo equilibra rotina estressante do mercado financeiro com posts cômicos
10 de Setembro, 2021 | 06:56 pm
Tempo de leitura: 7 minutos

São Paulo — Ele pode ser aquele seu colega estranho do banco que está sempre apressado. Ou o vizinho de baia que vai toda hora no banheiro. O que você não sabe é que ele é o Arthurito da Faria Lima (@arthurito.farialima no Instagran e @Arthuritofaria1 no Twitter), influencer anônimo que equilibra a rotina estressante do mercado financeiro com posts cômicos sobre “day traders” falidos, noticiário econômico e o que chama de “risco Brasília”.

Falar com Arthurito é uma saga que envolve aplicativos de videoconferência com a câmera desligada ou telefonemas que não identificam o número do usuário. ”Fica tranquilo que não é do PCC”, disse ele. Tudo para preservar a identidade.

Os influencers do mercado financeiro, junto com as “meme stocks”, têm crescido no Brasil e agora são disputados por grandes bancos e marcas por atrair os olhares do consumidor, particularmente dos millennials e gen Z. Arthurito diz que não tem ganhos relevantes com a vida de influencer digital, mas afirma que já encara a tarefa como um trabalho complementar a sua carreira no mercado financeiro. “Duro é minha mãe perguntando se virei blogueiro.”

No melhor estilo do americano “Goldman Sachs Elevator”, que inaugurou o segmento de influencers do mercado financeiro, Arthurito tem tiradas hilárias sobre mancadas de estagiários e delírios de chefes e subordinados na luta diária para defender o bônus do ano. Perguntas polêmicas sobre participação feminina no mercado financeiro e se a tendência ESG (iniciativas ambiental, social e de governança) veio para ficar não foram respondidas.

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Habitante típico do condado, como ele se refere ao microcosmo da avenida Faria Lima que vai da Nove de Julho até pouco depois da Juscelino Kubitschek, Arthurito é entusiasta de tecnologia e faz planos para também tirar sua startup algum dia do papel e, quem sabe, vendê-la para o Softbank. Ele disse investir em cripto, mais por curiosidade e por acreditar no futuro do segmento. Acredita em IPO até de padaria, mas só se ela tomar um “banho de Vale do Silício” e virar uma “baker tech”.

Segundo Arthurito, antes da pandemia, ele ia para o banco de patinete (vestindo o colete típico, além de fone bluethouth branco). Agora, ele diz que sonha com o fim do home office (e dos aplicativos de videochamadas), a volta do happy hour (com Negroni) depois das 17h e as festas de final de ano (com comprovante de vacinação e testagem). O influencer já faz até planos de torrar o bônus no verão da Yacht Week da Croácia ou em Ibiza (assim que aceitarem os brasileiros).

Leia abaixo os principais trechos da conversa.

BL: Qual a sua visão sobre a forte entrada do investidor pessoa física na bolsa?

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Arthurito: A recente queda dos juros colaborou mais para a educação financeira do brasileiro do que qualquer outra medida. A agua bateu na b. do rentista e os fluxos para renda variável aumentaram com a B3 batendo recorde de CPFs. De maneira geral, o comportamento do investidor pessoa física tem sido bom, principalmente nos momentos de stress do início da pandemia. Para comentar minha visão de mercado vou me apropriar da frase do meu grande amigo Faria Lima Elevator: “sigo pessimista, mas comprado”.

Influencer Arthurito Faria Lima no Instagramdfd

BL: Qual seu palpite para desempenho do mercado?

Arthurito: Acho que a bolsa está barata em termo de múltiplos e vejo excelentes resultados trimestrais em vários setores. Acho que o Ibovespa pode chegar à marca de 125 mil pontos se Brasília não atrapalhar [vou “printar” essa projeção; se acertar lanço um curso de investimentos com arrasta pra cima no dia 01/01/22].

BL: Você ficaria vendido em dólar durante a eleição? E se soubesse que o Lula já escreveu a Carta ao Povo Brasileiro 2?

Arthurito: O cenário político brasileiro é uma tragédia, mas também não é uma novidade. Pra mim é mais um empurrão para quem ainda não olha opções de investimentos no exterior, seja para diversificar ou para fazer o “hedge Brasília”. Minha posição nesses momentos costuma ser sóbria (mesmo se eu estiver bebendo). Volatilidade política é uma ferramenta de transferência de recursos do investidor desesperado para o investidor paciente, mas, de qualquer forma, eu procuro me posicionar em ações que tenham condições de performar bem independente do contexto macro.

BL: E o cenário para tecnologia, tema que você sempre fala nos posts? A startup do Arthurito vai sair do papel?

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Arthurito: Acho que o Brasil tem muitas premissas para desenvolver inovação e tecnologia: um país cheio de ineficiências a serem exploradas, escala para testar, um povo criativo e atualmente muito funding (o Softbank, o véio da lancha do empreendedor brasileiro, tá aí pra não me deixar mentir). Temos visto boas histórias por aqui em todos os níveis e é interessante ver também a turma que conseguiu abrir capital tendo suas ações valorizadas e entregando resultado. Eu sou um grande entusiasta do setor! Minha startup ainda não saiu do papel, por enquanto só comprei minha camiseta preta, meu tênis Yuool e os AirPods...

BL: Vamos ver IPO de alguma padaria?

Arthurito: Caraca, essa pergunta nunca me fizeram. A padaria é a instituição que melhor funciona no condado da Faria Lima, e em São Paulo de forma geral. Lá você toma café da manhã, almoça um PF, faz esquenta pra balada, compra aquele item que está faltando em casa... tô pra dizer que a padaria está para o faria limer como a CVS está para o nova iorquino. Agora IPO eu acho difícil, talvez se a padaria tiver um banho de loja de startup possa funcionar. O IPO de uma baker tech já é mais factível.

BL: Você investe em cripto? Vê exageros no segmento?

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Arthurito: Eu sou um iniciante nesse segmento. Invisto por curiosidade e por acreditar no futuro das criptos. Os fabricantes de máquina de escrever também diziam que computador era uma utopia. Acho que é importante dimensionar a exposição a esses ativos com um percentual correto da carteira, e acredito que uma maior participação de investidores institucionais nesse jogo diminuirá um pouco a volatilidade.

BL: Qual é o estagiário que, com certeza, vai dar ruim? E qual estagiário que se dará melhor?

Arthurito: Estagiário dando ruim é pleonasmo! Mas falando sério, estagiário bom é aquele que resolve problemas. Em um cenário em que o jovem é cada vez mais imediatista, é importante que o estagiário não se frustre com o timing das coisas e que tenha a inteligência de absorver o máximo possível do ambiente e dos colegas de trabalho. Recebo centenas de perguntas e pedidos de ajuda de jovens do Brasil inteiro querendo entrar no mercado financeiro. Aqueles que conseguem uma boa vaga deveriam aproveitar bem a oportunidade. Saúde é importante, mas estagiário que não frequenta happy hour e não ingere álcool perde muitos pontos.

BL: O Arthurito consegue se manter como ‘influencer digital’? Como monetizar esse poder?

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Arthurito: Velhote, eu infelizmente queimo mais caixa que a WeWork, então, é difícil dizer que eu consigo me “manter” com o Instagram. Importante deixar claro também que essa é uma atividade complementar. Eu tenho um trabalho formal no mercado e o perfil nasceu como um hobby que, aos poucos, começou a ser encarado mais como trabalho. Acho que é possível monetizar porque as marcas cada vez mais procuram por conteúdo autoral e com potencial de engajar seus públicos. O que faço aqui é totalmente amador (do ponto de vista de criação), mas acaba gerando identificação com as pessoas. Tenho uma preocupação também de fazer parcerias apenas com marcas e produtos que acredito. O fato de não “depender” do Instagram me deixa muito mais confortável para avaliar e fazer apenas as parcerias certas. Duro é ouvir minha mãe perguntando se eu virei blogueiro.

BL: A Faria Lima está pronta para voltar a curtir a noite em São Paulo? Vamos ter que ir de máscara?

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Arthurito: A Faria Lima já está com a “roupa de ir”. Acho que a retomada dos eventos terá aquele sentimento de renascentismo pós-guerra e haverá eventos para todos os gostos. Entendo que os grandes eventos começarão a ser viabilizados com testagem rápida na porta ou mediante a apresentação da carteira de vacinação completa. Em novembro começaremos a ter esse eventos, embora o condado já esteja mais agitado com bares funcionando até a meia noite. As tradicionais festas de réveillon no Nordeste serão o ponto alto da celebração faria limer. Eu estarei em São Miguel do Gostoso (RN)!

BL: Onde você vai torrar o bônus de 2021? Para onde viajar (quando aceitarem os brasileiros)?

Arthurito: Primeira parada em 2022 será o carnaval de Salvador. Agora para torrar o bônus o ideal seria o verão europeu. Yacht Week na Croácia ou Ibiza ou os dois.

Toni Sciarretta

Toni Sciarretta

News director da Bloomberg Línea no Brasil. Jornalista com mais de 20 anos de experiência na cobertura diária de finanças, mercados e empresas abertas. Trabalhou no Valor Econômico e na Folha de S.Paulo. Foi bolsista do programa de jornalismo da Universidade de Michigan.