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Negócios

Empresas planejam gastar menos com viagens de negócios

Com novas ferramentas de comunicação, muitas viagens da era pré-pandemia não serão mais necessárias

Tempo de leitura: 3 minutos

Bloomberg — As viagens de negócios, como as conhecemos, são coisa do passado. Empresas como Pfizer, Michelin, LG Electronics, HSBC, Hershey, Invesco e Deutsche Bank sinalizam que, com novas ferramentas de comunicação inovadoras, muitas viagens da era pré-pandemia não serão mais necessárias.

Um exemplo é a Akzo Nobel, maior fabricante de tintas da Europa. Na sede em Amsterdã, o CEO Thierry Vanlancker passou os últimos 12 meses observando o diretor da cadeia de suprimentos, David Prinselaar, agitar os braços, gesticular intensamente e aparentemente falar consigo mesmo enquanto “visitava” 124 fábricas, dirigindo a equipe no chão de fábrica com um equipamento de realidade aumentada de alta definição. Uma tarefa que antes significava cruzar o globo em um avião agora é feita em uma fração do tempo, e sem jet lag. Para Vanlancker, não há como recuar.

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As viagens para fechar negócios podem cair em um terço, e as reuniões internas ainda mais, disse em entrevista. “É positivo para nossas carteiras e ajuda nossos objetivos de sustentabilidade. Nossos clientes tiveram um ano de treinamento”, por isso o contato apenas por vídeo já não é malvisto”, explicou. “Há um elemento de eficiência enorme.”

Uma pesquisa da Bloomberg com 45 grandes empresas nos Estados Unidos, Europa e Ásia mostra que 84% planejam gastar menos em viagens no pós-pandemia. A maioria dos entrevistados com orçamentos de viagens menores prevê reduções entre 20% e 40%, e cerca de dois em cada três planejam reduzir reuniões presenciais internas e externas.

A facilidade e eficiência do software virtual, economia de custos e menores emissões de carbono foram os principais motivos citados para os cortes.

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De acordo com a Associação Global de Viagens de Negócios (GBTA, na sigla em inglês), os gastos com viagens corporativas podem cair para US$ 1,24 trilhão até 2024 em relação ao pico pré-pandemia, de US$ 1,43 trilhão em 2019.

As viagens de negócios “mudaram para sempre”, disse Greg Hayes, diretor-presidente da fabricante de motores a jato Raytheon Technologies, em entrevista à Bloomberg Radio em julho. Cerca de 30% do tráfego aéreo comercial normal está relacionado ao setor corporativo, mas apenas metade desse volume provavelmente é obrigatório, disse o executivo. Embora o mercado possa se recuperar, as tecnologias de comunicação sofisticadas “realmente mudaram nossa visão em termos de produtividade”, disse Hayes.

Tendo economizado bilhões com orçamentos reduzidos para viagens durante a pandemia, com um impacto apenas marginal nas operações, empresas, bancos, consultorias e escritórios de governos terão dificuldade em explicar por que retomaram a fórmula tradicional. A Hershey, fabricante do Kit Kat, disse que a pandemia mostrou que as reuniões online são mais eficientes em termos de tempo e recursos financeiros. Empresas como a Pfizer agora questionam o que pode ser conseguido com uma viagem que não possa ser feito virtualmente, disse Tina Quattlebaum, diretora de operações globais de viagens, durante o GBTA Mid-Year Virtual Summit, realizado em julho.

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A mudança afeta em cheio os setores de aviação e hospitalidade, que já estão entre as maiores vítimas da pandemia.

Business class

Passageiros de viagens de negócios, que compram passagens de business class ou com reembolso mais caro, respondiam por até 75% dos lucros das companhias aéreas na pré-pandemia, enquanto correspondem a apenas 12% dos assentos, de acordo com a PwC.

O setor hoteleiro, que obtém cerca de 65% da receita com viajantes corporativos, poderá enfrentar queda de 18% até 2022, com reuniões virtuais substituindo 27% do volume de viagens de negócios, segundo relatório do Morgan Stanley.

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Juntas, as maiores companhias aéreas do mundo tiveram prejuízo de US$ 126 bilhões em 2020 e devem perder outros US$ 48 bilhões este ano, de acordo com a Associação Internacional de Transporte Aéreo.

Enquanto enfrentam essas perdas e enormes dívidas acumuladas devido à paralisação das viagens pelo coronavírus, a última coisa que as companhias aéreas precisam é uma redução do número de clientes corporativos. Operadoras como Lufthansa, Air France-KLM, Delta Air Lines e American Airlines, com milhares de funcionários e despesas gerais, dependem do retorno dos passageiros corporativos.

“O efeito desta diminuição estrutural nas viagens de negócios será enorme para a indústria e, especialmente, para as companhias aéreas mais expostas a esta categoria de viajantes”, disse Pascal Fabre, diretor-gerente da AlixPartners, uma consultoria com sede em Paris.

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Companhias aéreas tentam manter o otimismo. O CEO da Delta, Ed Bastian, disse que cerca de 80% dos grandes clientes corporativos da operadora indicaram que até 90% das viagens de negócios anteriores à Covid devem ser retomadas futuramente.

“Não espero uma degradação no agregado da demanda corporativa ao longo do tempo”, disse em entrevista. “Quanto mais pessoas se conectam pessoalmente, mais oportunidades são criadas. Não vejo isso como um golpe significativo para o setor, como prognosticado por alguns.”

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