Bloomberg — O Koo, a alternativa da Índia para o Twitter, ultrapassou 10 milhões de usuários, diminuindo a diferença em relação ao site dos Estados Unidos, após seus repetidos confrontos com o governo local nos últimos meses.
O aplicativo lançado há 16 meses, que permite aos usuários enviar posts semelhantes a tuítes em inglês e sete idiomas indianos, como hindi e kannada, viu cerca de 85% de seus usuários aderirem desde fevereiro, quando os conflitos do Twitter com o governo Modi aumentaram. Ministros do governo, políticos da oposição, estrelas de críquete e celebridades de Bollywood começaram a publicar em línguas indianas no Koo.
Seu rival de São Francisco, que tinha 17,5 milhões de usuários mensais no início deste ano na Índia, atendeu às novas regras do governo este mês, após nomear novos executivos que moram na Índia, incluindo um para lidar com compliance. “Chegamos aos holofotes por causa da tensão do Twitter com o governo, mas os usuários logo perceberam que podem se expressar em sua língua materna apenas no Koo”, disse Aprameya Radhakrishna, cofundador e CEO do aplicativo com sede em Bangalore, cujo nome formal é Bombinate Technologies. “Nosso aplicativo conecta a Índia de língua inglesa à Índia de língua não inglesa em um país com 700 milhões de usuários na internet e isso é poderoso.”
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A rede social americana entrou em conflito repetidamente com o governo da Índia por causa do conteúdo de sua plataforma. O Twitter inicialmente se negou a remover centenas de posts críticos ao primeiro-ministro Narendra Modi em relação ao modo com que o governo lidou com a crise da Covid-19, ao mesmo tempo em que rotulou posts de autoridades do partido no poder como enganosos. A polícia então visitou seus escritórios. Um tribunal da Índia decidiu que a empresa estava em “descumprimento total” com as novas regras de tecnologia da informação do país.
No início deste mês, o Twitter cedeu e disse ao tribunal que cumprirá integralmente as regras. Isso incluiu nomear um encarregado com base na Índia para lidar com questões de compliance e reclamações.
Disputas entre autoridades e outro gigante da mídia social, o WhatsApp, que pertence ao Facebook, sobre as novas regras de internet da Índia seguem no tribunal.
Koo, que se beneficiou das controvérsias e de usuários na Internet que publicam em idiomas locais pela primeira vez, tem como alvo 100 milhões de usuários em um ano, disse Radhakrishna. A startup planeja se expandir no sudeste da Ásia, África, América do Sul e Europa Oriental, em países onde o inglês não é o idioma dominante.
“Uma startup de mídia social indiana está enfrentando um gigante global e tem boas chances de vencer”, disse ele.
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