Sem foco em direitos civis, Biden perde apoio de eleitor negro

Presidente americano enfrenta um crescente descontentamento entre seus eleitores negros diante da falta de progresso em temas como direito a voto e reforma policial

Presidente Joe Biden enfrenta descontentamento entre parte do eleitorado
Por Mario Parker
26 de Agosto, 2021 | 08:14 pm
Tempo de leitura: 2 minutos

Bloomberg — O presidente americano, Joe Biden enfrenta um crescente descontentamento entre seus eleitores negros diante da falta de progresso em temas como direito a voto e reforma policial. Essas questões são fundamentais para convencer essa parcela importante do eleitorado a sair de casa para votar em candidatos democratas nas eleições legislativas de 2022.

O foco de Biden em um projeto de lei de infraestrutura, após a aprovação de um pacote de US$ 1,9 trilhão em março para enfrentar as consequências da Covid-19, gera críticas da comunidade afro-americana de que ele não gasta o mesmo capital político nas questões que mais preocupam esses eleitores.

“Ele deu a impressão de que os direitos civis seriam prioridade em seus primeiros 100 dias” no cargo, disse Chinere Wright, 40 anos, cabelereira do salão Philly Cuts na Filadélfia. “Foi o principal fator que nos levou a apoiá-lo. Ele realmente se esforçou para que a gente votasse. Nossos votos o ajudaram a se eleger. Mas não queremos ser usados só para dar votos.”

O índice de aprovação de Biden entre os eleitores negros caiu de 76,8% em 23 de janeiro, três dias depois de assumir o posto, para 63% em uma pesquisa Economist/YouGov realizada pouco antes da saída das tropas americanas do Afeganistão, que diminuiu a aprovação dele por todo o eleitorado, pelo menos temporariamente.

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Biden está na Casa Branca há apenas sete meses e tem tempo para reconquistar o público. Ele trabalha por um pacote de US$ 3,5 trilhões que inclui iniciativas bastante populares, como educação infantil universal, faculdade comunitária gratuita e barateamento de moradias.

A Câmara de Deputados votou esta semana pelo avanço do pacote, que tem forte apoio da ala progressista do Partido Democrata. A Câmara também aprovou um projeto de lei de direitos de voto batizado em homenagem ao falecido ícone dos direitos civis John Lewis, que dificilmente passará no Senado.

Ainda assim, o presidente não pode se dar ao luxo de perder qualquer apoio de um grupo demográfico essencial para o sucesso de seu partido. Em 2020, 87% dos eleitores negros votaram nele. Qualquer recuo no comparecimento desses eleitores às urnas pode reduzir o número de votos o suficiente para prejudicar os democratas no próximo ano, quando Biden não estiver concorrendo. Isso aumentaria a chance de os democratas perderem o controle do Congresso.

Os negros americanos “estão muito decepcionados e podem não comparecer para votar em novembro de 2022, após terem eleito os democratas para unificar o controle do governo federal”, disse o deputado Mondaire Jones, de Nova York.

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Os democratas detêm uma vantagem de três assentos na Câmara. No Senado, os assentos estão igualmente divididos em 50-50, mas a vice-presidente Kamala Harris tem o voto de desempate. Desta forma, o partido tem uma ínfima maioria.

Geralmente, um partido que detém a Casa Branca e o Congresso enfrenta dificuldades nas eleições legislativas intermediárias para manter a maioria.

Biden conquistou a Casa Branca com uma defesa enérgica da igualdade racial nas políticas públicas como forma de tornar a economia mais justa, por meio de programas — incluindo o cuidado de crianças e idosos — que facilitam a rotina das pessoas que desejam trabalhar fora e colocam mais carga tributária sobre os ricos e as grandes empresas.

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